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Achas na fogueira

11/01/2012

Final de tarde a rachar lenha, num afã libertador, sob o olhar imaginado, zelador e instrutivo dos meus já idos avós cavadores. Fora da alçada inibitiva dos mapas e do pensamento, a pastar o tempo como um animal, plasmado nas mais elementares forças da Natureza, fui cumprindo as ordens espectrais com a manha de um lenheiro. Tomba daqui, golpeia dali, o machado galvanizado lá foi desfazendo a dente os anéis concêntricos de uma nogueira seca e velha, da idade do mundo. Agora, não satisfeito ainda, cá estou sofregamente agarrado às teclas, a deitar no fogo preso deste arremedo de diário as achas da minha dureza intransigente, das minhas obsessões, das minhas misérias, até que não reste um ar de cinza sobre bisbilhotices inconfessáveis.

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