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O relógio

21/01/2012

Começo a convencer-me de que vou perdendo a corrida, que a malha inexorável do tempo, sempre mais apressado e decidido, tarde ou cedo, me alcançará. Nenhuma das vinte e quatro voltas completas do relógio passa por mim sem me deixar a firme convicção de que me foi roubada aos sentidos e ao entendimento. “Ainda é cedo, que não posso pensar assim, que devia, simplesmente, deixar a vida acontecer”, dizem-me os meus íntimos confessores, do fundo afável da tolerância. Mas não consigo. Aparentemente, resumo-me a inventar: o passado que não tive, lembrado dele, e o futuro que quero ter, longe da absurdidade tola e infundada do sofrimento impenitente que vou infligindo às minhas próprias mãos.

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