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Envelhecer

22/01/2012

A unidade diversa dos amigos de sempre, na mesma intimidade de sempre. Explicávamos Portugal. Analisando luciferinamente a lógica da nossa penúria coletiva, diziam uns que nos falta o juízo; outros que andámos a satisfazer caprichos com as algibeiras rotas dos nossos filhos; uns que somos um povo de incontritos vagabundos; outros que os números feitos dos economistas não trazem a esperança humana e imprevisível dos poetas. Enfim, a linguagem macaqueada do costume a fazer de cada português um revolucionário passivo à mesa do café. «É bom estar a chegar aos trinta e falar destas coisas», disse, fraternalmente, um dos mais lúcidos interlocutores, balizando a discussão na breve maratona da vida. Envelhecer, pensei eu. E há outra alternativa possível? Que remédio temos senão dar tempo e complacência à aspereza irreversível da palavra e deixar que os cordōes afetivos possam amaciar a erosão dos nossos prantos?

2 comentários

  1. eu gosto de vir aqui até ao teu “cantinho”. e hoje senti que isto estava escrito para mim :) ) bjs


  2. Obrigado pela gentileza nas palavras, Paulinha. Na realidade, tudo o que escrevo sabe aos amigos que trago agarrados à vida. Muitos parabéns. Beijinhos grandes.



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