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Abstração

26/01/2012

Remate final num poema que há dias se desenrolava na cabeça. E foi a ferros que o arranquei, vitorioso da luta. É. Escrever, esquadrinhar a perfeição da palavra na largura funda de um verso, de um apontamento diarístico, ou de um conto é uma autêntica dor de parto.

Enjeitado por talentos

Ou outros dons de expressão,

Toda a musa

Se recusa

A dar-me a graça da criação.

Nos vagos desalentos

Das páginas concretas de cada confissão

Que o mundo inteiro lê,

Não há como nem porquê.

Nenhuma forma insondável me é ausente

Todo eu sou pedra transparente

E, mesmo isso, ninguém vê!

Fotografia: Luís Duarte

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