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“Batraquicídio” por negligência

17/04/2009

Por estes dias cinzentos, vergados às leis ríspidas da nortada, é frequente encontrar as ruas e estradas das áreas rurais congestionadas de anfíbios, das mais diversas ordens e grupos taxonómicos.

Para a minha mãe, um sapo na rua “adivinha tempos chuvosos”. Talvez seja porque só reparo na presença destes batráquios quando chove, lembrando-me imediatamenta desta lei empírica, começo a ficar cada vez mais inclinado a aceitar este princípio como qualquer outro fundamento de ecologia.

Até hoje os sapos só me têm despertado uma coisa: pavor!!!  Conheço a sua importância enquanto predadores naturais de pragas de insectos, contribuindo assim determinantemente para a manutenção do equilíbrio de ecossistemas agro-rurais. Todavia, cruzar-me com um sapo é das experiências mais traumatizantes que tenho vivido. É um medo alienável que não consigo explicar, nem ultrapassar.

Este medo advirá talvez das vezes incontáveis que a minha avó me falou no implacável mecanismo de defesa de que estes seres se encontram munidos: mijam-nos para os olhos, com uma pontaria de fazer inveja ao Trinitá.

Hoje, enquanto me dirigia para casa, reparei tardiamente em qualquer coisa com tamanho e volume suficientes para ser apenas mais um calhau no meio da via, embora demasiado suave ao atrito dos pneus e excessivamente brando à sensibilidade dos amortecedores…

Juro que não foi de propósito! 😦

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10 comentários

  1. Pois a mim enojam-me. Profundamente. Mas também já lhes tive um medo paralisador.

    O meu avô paterno fez-me o obséquio de povoar o meu imaginário com a crença que a urina batracóide era suficientemente nociva para cegar um humano.

    Qual clarividência meteorológica qual quê! Isso é o que diziam a crianças… (Já agora, sabes que as rãs são um bichinho de Nossa Senhora, que, quando há incêndios, levam água na boca e vão ajudar a apagar os fogos? Tudo made in e ouvido at Covão, Mar-Mon. Pela boca dos meus avós.)

    Num dos muitos tête-à-tête que tive com estes bichinhos fofos (NOT!) no “regato”, ali ao lado da minha casa paterna, paralisei a meio da rua já que um espécime resolveu estacar a meio do passeio rodoviário de fim de tarde (e como não houve tempo de bólide algum o passar a ferro, à semelhança do que já acontecera aos inúmeros familiares que ali jaziam colados às pedras da calçada) ali estava a criaturazinha. Eu, acagaçada até ao tutano, estaquei igualmente. Ora… passar pelas costas do bicho, está quieto ó mau, que ele faz pipi e cega-me (é o que se ouve e vê todos dias, sapos a alçarem a patinha e a acertar em cheio nos olhos dos humanos com que se cruzam…), passar pela frente poderia despertar uma súbita inversão de posição da alminha dos pântanos(maquiavélicos e com um QI muito acima da média, claro está) e toma lá disto.

    E pronto. O Sapo pára. A Carina pára. Até que o meu bom vizinho António José Santos, seguramente, intrigado com o tempo e local onde me via permanecer resolveu saber o que se passava.

    E salvou-me.

    E cheguei a casa e ouvi um ralhete por ter demorado tanto tempo num simples avio de última hora à mercearia mais próxima. Raisparta os sapos.

    P.S. Já com a Cátia tenho mais meia dúzia de histórias com estes demos da minha infância…


  2. Haja alguém que me perceba! Ainda no outro dia, quando regressava das cervejas, como tinha um mesmo à porta a coçar pastosamente um olho, tive de telefonar à minha mãe, que já dormia, para me vir tirar o bicho da porta. De outra forma recusava-me a entrar em casa…


  3. Eu também já vislumbrei a possibilidade de dormir dentro do carro ou por-me a caminho de Portimão porque tinha uma osga mesmo por cima da porta… a sonsa…

    Sim, das osgas tenho mesmo pavor. Ainda hoje e sempre que lhe ponho a vista em cima. Até a lagartixas reajo.
    Ia enlouquecendo nos 6 meses que morei em Évora, intra muralhas… a casa era antiga, a porta da rua também, as “maldeçoadas” lagartixas entravam-me pela casa adentro como se o espaço fosse delas… Bom… 3 meses depois de muitos guinchos e pinotes pela casa fora, das residentes humanas (ter uma colega de casa de Almada, igual mas compreensivelmente – ao contrário de mim – avessa a bichos, não ajudou nada…) lá comecei a reagir. Uma vassoura estrategicamente colocada ao lado da porta.

    Não sei… mas acho que aprendi ali, inadvertidamente, uma ou outra coisinha sobre golf…


  4. Duas histórias que envolvem um sapo e eu:
    1ª-uma vez agarrei um sapo a pensar que era uma laranja (não o comi).
    2ª-como vingança, uns meses depois apanhei um sapo e fiz todo o tipo de experiências com ele. Coloquei-o a fumar (não rebentou), tentei afoga-lo (não rebentou), mandei-o a uma parede (não rebentou).

    Estou completamente convencido que os sapos são os animais mais duros da natureza.


    • Cá pra mim não era um sapo. Ou, sendo, are made in Chernobyl. Ou então foi alimentado a chouriço e medronho logo à nascença…

      P.S. Acreditam que há vídeos no youtube com sapos a fumar? Não fui capaz de ver, mas sei que os há.


    • LOOL…e eu, com teu comentário, ia rebentando a rir… 😀


  5. Errata: onde se lê “are made” leia-se: “era”


  6. era made… (crap…)


  7. […] desde tenra idade a ideia de que Salazar e o diabo são a mesma coisa – mais uma vez a minha avó é a grande culpada por pensar que o diabo é tão só a figura do Salazar, de tridente na mão, […]


  8. […] « Amigos pr’á velhice Meteorologia Doméstica 09/05/2009 Depois dos sapos, o pássaro ”cavalinho da chuva”, o amolador de tesouras e as dores reumáticas. […]



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