Archive for 21 de Abril, 2009

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Umbigo ou Embigo?

21/04/2009

Esta manhã, à semelhança de todas as outras manhãs,  enquanto acompanhava as primeiras notícias do dia no programa informativo da RTP1, Bom Dia Portugal, despertando assim lentamente para mais um dia de labuta, dei comigo a rir parvamente sozinho, após a rubrica “Bom Português” .

O “Bom Português”  é, quanto a mim, uma das rubricas de televisão mais reveladoras da benção que é ser-se português, como se tivessemos sido formatados à nascença no sentido de pensar e agir sempre da forma intuitivamente mais acertada de todas. Isto sem esquecer o elevado valor pedagógico patente em cada uma das “charadas” lançadas dia após dia naquele espaço informativo da televisão pública.  

A questão levantada hoje prendia-se com a aplicação correcta dos termos: umbigo, ou embigo? A maioria dos inquiridos foi bem sucedida, ao referir a primeira opção como a mais acertada,  tendo esta derivado  do latim. Ainda assim, o uso da segunda também está efectivamente correcto, sendo a forma popular para designar a parte do corpo humano que mais cotão acumula por dia.

Uma das senhoras entrevistadas revelou, no seu expoente máximo, o tal desígnio divino de raciocinar à portuguesa. Muito resumidamente, passo a citar a entrevista:

Jornalista: “- Como é que se diz, umbigo, ou embigo?”

Entrevistada: “-Umbigo…”

Jornalista: “-Então e como é que se escreve essa palavra?”

Entrevistada: “-Como é que se escreve?! Sei lá…deixe-me lá ver…”

Jornalista: “-Qual é a primeira letra?

Entevistada:-“Um O…Acho que é O… Leva um H antes do O…”

Portanto, deve dizer-se Hombigo!!! “Assim se fala em bom português…”

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Bad Religion e ExtreMusika 2009

21/04/2009

Nota Zero ao festival; 20 aos Bad Religion.

O mau tempo que se fez sentir no Sábado passado, na região da Extremadura espanhola, não explica tudo relativamente à má qualidade do ExtreMusika 2009. Um espaço especificamente concebido para eventos do género não pode registar tantas falhas, nem revelar tanto amadorismo, quando se conseguem trazer bandas de renome internacional e se cobra 75€ a cada visitante.

Caliqueira de Lata: Lama, chuva e frio. As más condições atmosféricas fizeram do recinto um autêntico pântano e deixámos de sentir os pés, as mãos e a ponta do nariz 5 minutos após a entrada no recinto. Realizado em época primaveril, convidativa a muitas bandas em início das respectivas tournées de Verão, as probabilidades de ocorrência de períodos chuvosos contínuos como o que se fez sentir no Sábado são elevadas, pelo que se justificava que o solo imediatamente em frente ao palco estivesse impermeabilizado, ou, no mínimo, com outras condições de escoamento. Toda a escorrência superficial do recinto confluía para este espaço e rapidamente os nossos pés ficaram assim:

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Caliqueira de Ferro: Iluminação. A iluminação deficiente de grande parte do recinto, conjugada com o já referido dilúvio, fez aumentar as vezes em que se acertou em cheio em poças de água de grandes profundidades. Os meus tornozelos, sonares de alta precisão nestas ocasiões especiais, registaram poças de água com mais de 7 cm de profundidade. Como referi oportunamente, fizemos a viagem de regresso a Portugal descalços.

Caliqueira de Zinco: Cerveja e Moche espanhóis. Dada a má qualidade sucessiva das colheitas de cevada espanhola, agravada por processos de fermentação “a martelo”, fiquei-me por uma cerveja apenas, que engoli com caretas de sapo. Quanto ao moche, basta dizer que a forma como os espanhois soltam a barbárie desencadeada pela alienação musical se resume à aparência de um bando de gajos momentaneamente vitimados por ataques de epilépsia…

 Tortilha de Ouro: Bad Religion. Ultrajados pelo mau tempo, pela incompetência do locutor do festival em pronunciar inglês correctamente (chamava-lhes de “bád rélizión”) e pela falta de respeito demonstrada pelos testes sonoros da banda que lhes havia de suceder no palco ao lado, o concerto foi arrepiante, do início ao fim. Ainda que o alinhamento das musicas, feito “na hora”, possa indiciar falta de “trabalho de casa”, a fluência natural entre músicas mais antigas em alternância com canções dos novos álbuns, ecoando num êxtase constante junto da plateia, demonstrou uma banda com autoridade e legitimidade suficientes para continuar como uma das grandes referências do punk rock / punk hardcore actual. Quem como eu, os tem como uma das três bandas preferidas, teve um concerto à medida das expectativas geradas.

bad-religion_extremusika09  

Tortilha de Prata: Os 3 do 36 de Berna. Passados cerca de 5 anos, foi bastante porreiro passar um fim-de-semana old school com os meus compinchas de sempre. A boa disposição do costume, a má digestão do costume, a tradicional ingenuidade cómica do Rui Gordo e o pragmatismo extremo do Lince, são a receita para momentos de “puta madre“. No entanto, porque sei que também são fãs de Bad Religion e porque a sua presença também assegura diversão,  outros amigos fizeram falta…

Tortilha de Bronze: Pulseiras do Festival e o “café fantasma” na Villa de Los Barros. Assistir a um festival de lama e escuridão a troco de 75€, em que o único momento digno de registo é o da actuação dos Bad Religion, só pode ter justificação na pulseira a cheirar a bebés entregue à entrada. Passados 3 dias, ainda é de tal forma agradável o aroma a pó talco e fraldas no pulso, que não prevejo tirar a dita fita nos próximos tempos. Por outro lado, um chão dum estabelecimento comercial revestido de cabeças de camarão e cascas de amendoím, como nunca tinha visto, revelam como é uma campanha alegre, a incursão pela Extremadura espanhola.