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Bad Religion e ExtreMusika 2009

21/04/2009

Nota Zero ao festival; 20 aos Bad Religion.

O mau tempo que se fez sentir no Sábado passado, na região da Extremadura espanhola, não explica tudo relativamente à má qualidade do ExtreMusika 2009. Um espaço especificamente concebido para eventos do género não pode registar tantas falhas, nem revelar tanto amadorismo, quando se conseguem trazer bandas de renome internacional e se cobra 75€ a cada visitante.

Caliqueira de Lata: Lama, chuva e frio. As más condições atmosféricas fizeram do recinto um autêntico pântano e deixámos de sentir os pés, as mãos e a ponta do nariz 5 minutos após a entrada no recinto. Realizado em época primaveril, convidativa a muitas bandas em início das respectivas tournées de Verão, as probabilidades de ocorrência de períodos chuvosos contínuos como o que se fez sentir no Sábado são elevadas, pelo que se justificava que o solo imediatamente em frente ao palco estivesse impermeabilizado, ou, no mínimo, com outras condições de escoamento. Toda a escorrência superficial do recinto confluía para este espaço e rapidamente os nossos pés ficaram assim:

patas-na-poca

Caliqueira de Ferro: Iluminação. A iluminação deficiente de grande parte do recinto, conjugada com o já referido dilúvio, fez aumentar as vezes em que se acertou em cheio em poças de água de grandes profundidades. Os meus tornozelos, sonares de alta precisão nestas ocasiões especiais, registaram poças de água com mais de 7 cm de profundidade. Como referi oportunamente, fizemos a viagem de regresso a Portugal descalços.

Caliqueira de Zinco: Cerveja e Moche espanhóis. Dada a má qualidade sucessiva das colheitas de cevada espanhola, agravada por processos de fermentação “a martelo”, fiquei-me por uma cerveja apenas, que engoli com caretas de sapo. Quanto ao moche, basta dizer que a forma como os espanhois soltam a barbárie desencadeada pela alienação musical se resume à aparência de um bando de gajos momentaneamente vitimados por ataques de epilépsia…

 Tortilha de Ouro: Bad Religion. Ultrajados pelo mau tempo, pela incompetência do locutor do festival em pronunciar inglês correctamente (chamava-lhes de “bád rélizión”) e pela falta de respeito demonstrada pelos testes sonoros da banda que lhes havia de suceder no palco ao lado, o concerto foi arrepiante, do início ao fim. Ainda que o alinhamento das musicas, feito “na hora”, possa indiciar falta de “trabalho de casa”, a fluência natural entre músicas mais antigas em alternância com canções dos novos álbuns, ecoando num êxtase constante junto da plateia, demonstrou uma banda com autoridade e legitimidade suficientes para continuar como uma das grandes referências do punk rock / punk hardcore actual. Quem como eu, os tem como uma das três bandas preferidas, teve um concerto à medida das expectativas geradas.

bad-religion_extremusika09  

Tortilha de Prata: Os 3 do 36 de Berna. Passados cerca de 5 anos, foi bastante porreiro passar um fim-de-semana old school com os meus compinchas de sempre. A boa disposição do costume, a má digestão do costume, a tradicional ingenuidade cómica do Rui Gordo e o pragmatismo extremo do Lince, são a receita para momentos de “puta madre“. No entanto, porque sei que também são fãs de Bad Religion e porque a sua presença também assegura diversão,  outros amigos fizeram falta…

Tortilha de Bronze: Pulseiras do Festival e o “café fantasma” na Villa de Los Barros. Assistir a um festival de lama e escuridão a troco de 75€, em que o único momento digno de registo é o da actuação dos Bad Religion, só pode ter justificação na pulseira a cheirar a bebés entregue à entrada. Passados 3 dias, ainda é de tal forma agradável o aroma a pó talco e fraldas no pulso, que não prevejo tirar a dita fita nos próximos tempos. Por outro lado, um chão dum estabelecimento comercial revestido de cabeças de camarão e cascas de amendoím, como nunca tinha visto, revelam como é uma campanha alegre, a incursão pela Extremadura espanhola.

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7 comentários

  1. Boas, Edu. 🙂

    Folgo em saber que te entraste na blogosfera. Torço para que mantenhas a paciência que eu já tive: fazer, no mínimo, uns 4 posts por semana.

    Em relação aos “Bád Relizión” (LoL) e aos festival espanhol, só demonstra que nós – portugueses – somos tão asnos que nem nos entendemos, nem nos valorizamos. Depois, vamos a estes eventos em terras mais “desenvolvidas” e é a “algazarra de cães” que se vê…

    O que é nacional é bom!

    Abraço!


    • Carlos;
      Essa foi mesmo a principal conclusão a que cheguei…Nós não valorizamos convenientemente aquilo que fazemos, sobretudo quando o fazemos melhor que os outros. No que concerne a festivais então somos mesmo muito muito bons. É por isso que não se estranha ver-se espanholada com fartura por aqui nas datas dos nossos festivais.
      Quanto aos posts…vou tentar, por agora estou em ácidos com isto. 🙂
      Um grande abraço!


  2. Bom, como é frequente acontecer-me pós leitura eduediana, ri-me a bom rir.

    Já tens menos um item na tua “to do list”. Já lhe arranjaste substituto?

    Sugiro, aproveitando a oKupação da caixa de comentários, que não deixes cair o uso de prémios. Para o bem e para o mal (e para o bom e para o mau), sejam estes adaptados à realidade relatada ou uma marca registada “Terra Ruim”.

    Quiçá uma rubrica onde destacarias, recorrendo aos tais prémios eduedianos, terraruinsenses, fait divers (não me lembro do html para o itálico…) do teu interesse. Vale?

    😉


    • Carina;

      Só para usar palavras em desuso como “Caliqueira”, eu arranjo mil e uma coisas para atribuir galardões deste cariz… 🙂


  3. Fixe, fixe era ser anunciado brevemente que os Bad Religion vinham a um qq festival em Portugal.

    Gostaria de ter ido também mas infelizmente nem sempre querer é poder.


    • Nada que não tenha pensado já… Marcaria presença, com todo o gosto! Quanto ao facto de não teres ido, vou repetir mais uma vez: a tua presença é obrigatória nestes eventos, independentemente das circunstâncias… 😛


  4. […] São trinta anos de Bad Religion numa longa estrada, na qual  me orgulho de ter peregrinado e feito profissão de fé. […]



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