Archive for 22 de Abril, 2009

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Um palerma, o Quique Flores e o Dr. House

22/04/2009

 

Quais as semelhanças entre um palerma, o actual treinador do Benfica, Quique Flores, e Hugh Laurie, estrela da proclamada série norte-americana Dr. House?

À partida nenhumas se o palerma em questão for eu, embargando-se assim a possibilidade de descortinar um elo de ligação entre os três! No entanto, desde o dia 23 de Maio do ano passado, que várias pessoas têm sistematicamente feito de mim e do técnico espanhol dois bonecos desses jogos de última página de jornal, do género “descubra as diferenças”.

Acho as comparações que fazem entre mim e Quique, no mínimo injustas, fundamentalmente nas 2 últimas semanas. Depois da derrota na Luz, contra a Académica, cheguei até a ser assobiado e contestado por 2 sócios do Benfica, aparentemente embriagados, em plena Fonte dos Chorões, centro urbano da Vila de Monchique. Felizmente que nenhum deles era a Cinha Jardim nem o célebre e temido “diabo aperta goelas a árbitros auxiliares”. Nem tão pouco o Bola Sete…

Por outro lado, lembrarem-me, recorrentemente, das semelhanças com Quique, põe-me a pensar em como estou a envelhecer vertiginosamente depressa.  É que há coisa de nove anos atrás, quando entrei na Universidade, uma empregada de caixa do Pingo do Doce da av. 5 de Outubro, atribuiu-me 14 anos de idade. (Bem sei que o meu amigo João Lince se sentiu bem pior, visto que a ele, a dita senhora teimava em não lhe dar mais do que 12 aninhos mal feitos).

Nisto tudo, onde é que entra o Dr. House? Precisamente na questão das parecenças físicas. Eu acho  que o Quique Flores é sim parecido ao “Sherlock Holmes da Medicina”. Mas eu e o “Doutor Casa” não temos mesmo nada a ver. Se há coisa em que este palerma que sou eu, o treinador do Benfica e a personagem fictícia podemos ser parecidos é no protagonismo de cada um. Senão vejamos:

Quique Flores ocupa o cargo de treinador principal do melhor clube do Mundo, o Dr. House é a personagem principal de uma das mais bem sucedidas séries de tv do Mundo, e eu lidero uma das associações mais activas na actual conjuntura económica internacional, tendo-me auto-denominado democraticamente como Presidente da Associação de Cidadãos Portugueses Portadores de Bilhete de Identidade Com o Canto Superior Esquerdo Ligeiramente Dobrado Para Cima. E anuncio desde já que, por motivos pessoais, não sou candidato à presidência da Associação Portuguesa de Cidadãos com os Olhos Fechados na Fotografia do Cartão do Cidadão.

Por outro lado, só ficaria totalmente convencido acerca das semelhanças entre mim e os restantes indivíduos visados no texto, se esta tripla fosse sujeita a um teste baseado na inversão de papéis. Assim, o Dr. House encarregava-se de treinar o Benfica e não só consertava de vez o joelho do Mantorras como era bem capaz de conseguir explicar de uma vez por todas que o jogador sportinguista Pedro Silva, é portador de uma má formação congénita qualquer, que leva a que o seu antebraço se estenda à zona do peito.

A Quique Flores estariam destinadas as tarefas de escrever textos politicamente correctos n’O Jornal de Monchique. Abria ainda uma escola de danças latinas no primeiro piso do Café da Vila, contando com a presença, uma vez por semana, da sua mãe Carmen Flores.

Quanto a mim, bastava vestir uma bata de talhante e pedir ao Marinho Africano, ferreiro de profissão,  que me atirasse uma bigorna ao pé esquerdo, passando então a andar de bordão na mão e a coxear pelos corredores das urgências do Hospital do Barlavento Algarvio, trovejando contra tudo o que fosse pessoal médico do serviço.