Archive for 5 de Maio, 2009

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O Camaleão-Zombie de Valadares

05/05/2009

Escrevi anteriormente, aqui no Terra Ruim, que ser português é um privilégio sublime, metafísico. Nascemos abençoados com dois poderes sobrenaturais, cuja desenvoltura duvido que algum povo do Mundo a tenha tão aperfeiçoada quanto nós: o desenrascanço e a “chico-espertice”.

Ambas as propriedades demonstram a nossa capacidade em empreender raciocínios intuitivos e desenvolver “esquemas” e estratagemas, reflectindo uma agilidade tal, que nos levam, quase sempre, ao sucesso imediato e ao fácil desembaraço quando em situações de apuro iminente.

O caso que vou reportar é o de Alfredo Cardoso Marques Rosa, (Frede para a comunidade de larápios), e foi hoje narrado pelo Telejornal da RTP1. Cadastrado e procurado pelas autoridades políciais, acusado da autoria de crimes de ordem variada, Frede Rosa terá simulado a própria morte.  De modo a escapar ao mandado de captura que lhe houvera sido decretado entretanto, mandou construir uma lápide onde constam o seu nome e fotografia. Dentro da sepultura, no cemitério de Valadares, onde, supostamente, estariam jacentes os restos mortais de Frede, jazem…os do seu próprio irmão, Vitor Cardoso. Este, ao que tudo indica, comprovadamente falecido.

A reacção de vizinhos e conhecidos, torna o caso ainda mais pitoresco, observando-se opiniões distintas, antagónicas e contraditórias, designadamente:

  1. O espanto absoluto do primeiro entrevistado:«Ele não morreu?! Uh carago…tá mau, então eu num sei, isso num sei»;
  2. O elogio aos dotes de Frede na arte da representação, (mesmo que isso signifique permanecer inerte, dentro de um caixão, tapado de terra e lajes, sem respirar): «A mãe bem todos os dias aqui e bai ó marido tombém, por isso não sei se ele lá tá, se tá fingindo»;
  3. A confusão total, gerada no pensamento da primeira senhora entrevistada, cuja boca é um autêntico sarcófago, e de lá nada sai: «eu não digo nada, o que eu ouço é muita coisa». Ou talvez assim não seja, já que, imediatamente a seguir, acaba por confessar ao jornalista, tudo aquilo que ouve, pormenorizadamente;
  4. Paixão platónica. Uma segunda senhora, provavelmente solteira (ou viúva), que revela uma mórbida paixão platónica pelo camaleão zombie, e a quem a substância desta história pouco ou nada interessa: «não sei se está enterrado, sei que lá está a fotografia. É um homem muito bonito, um senhor muito bonito, muito jeitoso, mas num sei de mai nada…»
  5. Um rol de contradições. O coveiro, exibindo uma taxa de bazófia tão elevada quanto a ostentatada pela fotografia de Frede, disserta sobre a autenticidade do cadáver. Com um discurso gradativo, baseado nos seus conhecimentos forenses, as certezas logo se transformam em dúvidas, para novamente virarem certezas, enquanto o diabo Frede esfrega um olho: «o cadáver muda um bocado, mas eu tenho quase a certeza que era ele…». Quando o jornalista insiste sobre verdadeira identidade do defunto, o fanfarrão coveiro responde inundado em dúvidas, sustentadas exactamente pelos mesmos argumentos forenses que lhe garantiam as certezas iniciais, voltando, finalmente, à versão inicial: « se era ele ou não errh, provavelmente que…deixa dúvidas, porque, como eu digo, a pessoa depois de entrar em cadáver modifica, muito…mas para mim era ele!» 

Ora digam-me lá se um caso com contornos tamanhos, reunindo todos os ingredientes necessários para ser classificado de mito rural, não é um regalinho para a alma lusitana?

 

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Família Cão Privado

05/05/2009

É uma casa portuguesa, com certeza!

family private dog

Fotografia: Ruínas do Convento de Nossa Senhora do Desterro, Monchique

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Gripe A (ou os Mexicanos que não me ofereceram tequilha)

05/05/2009

Está confirmado o primeiro caso de Gripe A (ex-gripe suína), em Portugal. O indivíduo, do sexo feminino, terá sido contaminado pelo vírus H1N1, depois ter passado férias no México, há uns dias atrás.

Ao ver o mapa da distibuição mundial do vírus, muito me apraz saber que  o Algarve não regista , ainda, qualquer caso. Sobretudo depois dos riscos que corri, ao ter comemorado o 1º de Maio no Pego do Inferno, mesmo ao lado daquela antipática família de Mexicanos, em que um deles, tinha uma valente constipação.