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Meteorologia Doméstica

09/05/2009

Depois dos sapos, o pássaro “cavalinho da chuva”, o amolador de tesouras e as dores reumáticas. Todos eles, segundo a minha mãe, prenúncios de tempo chuvoso.

Na Quinta-Feira tive o prazer de ouvir o musicado piar do pássaro, ontem a minha mãe lastimou o reumático que a apoquenta, e hoje, ao saír de casa, encontrei o amola tesouras rua de São Roque acima, empurrando a bicicleta com um passo pachorrento, ritmado pela melodia desafinada a brotar da gaita. Neste momento já a terra foi polvilhada por uma chuva tímida.

Estive eu 4 anos a calcular pontos de orvalho, valores de humidade relativa, gradientes pseudo-adiabáticos, a interpretar cartas sinópticas, a desenhar termo-pluviométricos, entre outras ferramentas de análise e previsão meteorológica, quando a minha mãe, por muito menos, consegue antecipar-se às previsões do estado de tempo.

Já vale a pena…

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15 comentários

  1. pois amigo Edu antes de teres passado esse tempo todo a marrar devias ter cosultado o almanaque de “JÀ DIZIAM OS ANTIGOS” .
    Nesta zona do planeta (Monchique) tudo tem a justificação de ja diziam os antigos que……
    E é sertinho direitinho


  2. E não é que é mesmo! E viva o almanaque Borda d’Água. Se bem que o meu fascínio pela ciência popular também terá os seus limites e dou sempre por bem empregues os anos de marranço. 🙂


  3. A mamã não pediu reembolso, pediu? :/

    Esse pássaro não conheço…
    Uma coisa é certa, há, seguramente, um qualquer mecanismo imperceptível à gnose humana que permite à bicharada o conhecimento antecipado de fenómenos naturais. Tome-se por exemplo a debandada pré-tsunami no sudoeste asiático… (há mais exemplos…)


    • Felizmente que ainda não pediu, mas acho que já esteve mais longe disso. Quanto à bicharada, sou um pouco céptico em relação a isso. Já li várias opiniões antagónicas, mas admito que tenho que aprofundar um pouco mais.


      • Tenho, definitivamente, que começar a tomar nota dos docs que vejo do National G (acontece-me n vezes isto, vejo, não tomo nota, quero recuperar a info, e era o recuperavas…).

        Lembro-me de um que versava os “suicídios colectivos” de cetáceos, sobretudo a etiologia dos mesmos (com possibilidade – gritante – de se poder imputar à sofisticação dos sonares de submarinos, a responsabilidade pelos mesmos, já que se sobrepunham à informação dos campos magnéticos terrestres (perdoa a forma atabalhoada como o descrevo, mas, na ausência da memória exacta do fenómeno e com uma preguiça de me fundamentar devidamente, que vou ali e já venho, é assim que vai…) originando as tragédias que têm vindo a público. Atenção que foram exploradas várias hipóteses, esta foi a que me pareceu mais plausível até porque houve sempre (ou sempre que as autoridades oficiais confirmaram) a presença de teste e ensaios da(s) Marinha(s) nas “proximidades” em que estes eventos tomaram lugar; e um outro que se debruçava sobre a capacidade de detecção canina de episódios epilépticos humanos e detecção (por via do odor) da presença de células cancerígenas em tecidos (?) humanos. No primeiro caso, já há, pelo menos, nos EUA, pessoas que sofrem de episódios frequentes de grand mal, que se fazem acompanhar permanentemente de cães. E é vê-los avisar os donos e estes a colapsarem segundos depois, já em condições de segurança própria(sentados/deitados). No segundo exemplo então… fiquei tanto ou mais surpreendida. Vi os cães a farejarem amostras dispostas no chão e a sentarem-se perante aquela que continha as células cancerígenas. Numa situação concreta, o cão ficou confuso entre duas (uma delas correspondia à amostra cancerígena). Tu acreditas que uma das amostras provinha de alguém cujo cancro entrara, supostamente, em remissão e que o cancro voltara? Chamaram mesmo o paciente em causa, testaram-no e confirmou-se a reincidência da maleita…
        Saliento que foram apresentadas as investigações de grupos com sede em diversas Univs, estado-unidenses (pelo menos, não me lembro se canadianas) e, penso, britânicas.

        Bom, não gostando eu de verdades à lá Palisse, o positivismo comtiano, está-me no sangue, o que me parece por demais evidente é que existe de facto uma capacidade, ou um conjunto de capacidades, animais, em estreita ligação (pelo menos no caso dos cetáceos) a fenómenos naturais da terra que são, até ver, infinitamente mais “elaborados”/complexos que aqueles que nós humanos dispomos… Se as potencialidades do faro canino são amplamente conhecidas… fica por melhor entender como conseguem antecipar a ocorrência de um episódio epiléptico. No meio disto tudo, e também por vício declarado e assumido das passagens por meios académicos, mantenho uma abertura grande à possibilidade de existir formas de “comunicação”/relação mais elaboradas que as humanas (ok, ok, homenzinhos verdes, fora)

        Desculpa lá o testamento… (e olha que, ainda assim, eliminei 300 extrapolações e verborreia desenfreada que, lamentavelmente, tão bem me caracteriza…)


  4. só tens que dar porque és bom no que fazes e isso faz de ti um marrão bem sucedido


    • Obrigado pelas tuas palavras Marco. 🙂 Mas acho que não é (não sou) (tão) assim 😛


  5. … e na eliminação do excesso, extra-excesso, eliminei de mais ali no final. Queria dizer formas mais complexas e, consequentemente, afinadas de interpretação dos sinais emitidos pela Natureza.(Oh desinspiração… caraças…)


    • 🙂 Excelente comentário. Obrigado pelo esclarecimento e pelo enriquecimento que isso significa aos conteúdos do Terra Ruim, minha querida amiga. Agora imagina só que a referida capacidade dos cães na previsão de ataques de epilépsia tinha sido descoberta antes. Talvez o Dostoievski se tivesse visto e desejado para incluir uma personagem canina n’ O Idiota. 😛

      Como te disse no comentário anterior, já li umas coisas sobre a capacidade dos animais em preverem algumas catástrofes naturais, e continuo um pouco reticente acerca disso, nomeadamente em relação a movimentos de vertente (deslizamentos de terras) área onde pretendo desenvolver a tese de mestrado.

      Acho que estas questões entram um pouco no domínio da metafísica, pelo que tu até estarás mais capacitada que eu para falar delas. Por outro lado, ter-se-á feito disto um mito urbano e muito perigoso que as pessoas se confinem a animais na detecção prévia de acidentes naturais. É bem mais preferível utilizar ténicas um pouco mais científicas (modelos numéricos de previsão, SIG’s :P). Se bem que, isto não significa, de maneira nenhuma, menosprezar a ajuda dos animais e o seu importante contributo relativamente a certas actividades humanas, de acordo com os geniais exemplos que deste.

      Mais uma vez muito obrigado pelos teus lúcidos comentários e pelos óptimos debates que ajudas a manter no Terra Ruim, juntamente com o resto do pessoal “comentarista” que me tem motivado a continuar com isto. 😉


      • Caríssimo,

        Nada a agradecer. Só lastimo não ter a referência concreta dos documentários em causa. Tenho a mais absoluta certeza que os vi na RTP2, mas não sei os títulos (ainda lhes mando um mail a pedir a ref – tenho uma boa experiência neste âmbito com a SIC, pode ser que tenha sorte com a RTP2).

        Mas olha que é mesmo a sério, da mesma forma que há escolas para treinar cães-guia, já as há para o treino no auxílio das crises epilépticas. De mito urbano, não tem mesmo nada.

        Se me perguntares se entre um animal e as maquinetas que o ser-humano desenvolveu, bem como modelos teóricos, qual escolho, digo-te que escolho a produção humana. Sem que isso me faça menosprezar o contributo, animal, que entendo dever ser considerado em prol do (hipotético) avanço do conhecimento. Mais do que qualquer coisa, interessa-me que se estude e compreenda como se processa, para efeitos de reprodução material e benefício de todos.

        Sob o ponto de vista formal, só indaguei os benefícios para a saúde de ser ter um animal de estimação. Nesta matéria que aflorei, ancorada no que referi, sob a chancela da National Geographic inspira-me respeito, até pela contextualização que fazem e tornar-se claro que se tratam de investigações desenvolvidas em contexto académico, só recordo mesmo o que enunciei. Não pesquisei a respeito.

        Nada a agradecer meu caro, só eu tenho a congratular-me por partilhares o que escreves e teres a paciência que tens para mim!

        P.S. Dizer que o Quique é uma brasa e que é um lavar de vista… é duma importância… ui… 😀

        P.S.2. Mas sim, o meu contributo no post dos sapos foi de inestimável valor! LOL


  6. Eu gosto que digas isso do Quique, tendo em conta o post / artigo do Jornal de Monchique onde são referidas as nossas parecenças físicas (https://terraruim.wordpress.com/2009/04/22/um-palerma-o-quique-flores-e-dr-house/). LOL. 😀

    Mas relativamente aos animais e às capacidades preditivas, acredito que é um pouco mais complexo que adivinhar chuva pelo amola tesouras. Contudo, dá uma espreitadela neste site, acho que vais gostar, pois trata-se da tua área de conhecimento: http://skepdic.com/esp.html


    • Ahahahahahahahahah!!!

      Ó não! Andei a elogiar o autor do blogue sem conhecimento!!! E logo os atributos físicos! (Ainda apareço para aí pendurada pelos “pézes” num sobreiro qualquer… :/)

      Mas olha que, agora que penso nisso, há parecenças sim senhor. Como é que ainda não me tinha ocorrido?!


      • A nível de competência enquanto treinador principal, (que é o que interessa) já eu tinha feito o Benfica campeão, com a mesma facilidade com que a minha mãe advinha a chuva. 😉


  7. Vês?
    És bem melhor que o Quique afinal. A ele deu-lhe para as Órsis e para as balzaquianas estupendanças na noite lisboeta e foi o que se viu. Claro que por mim… ele que continue! 😛


  8. Vou ver o link, e ver se descubro o nome do programa em questão. Não acredito que se trate de uma capacidade preditiva, as in, um “dom”.

    Mais recentemente, passou um programa sobre tubarões e a forma como se orientam nas suas “navegações” Completamente ao encontro do que já vira no programa sobre os “suicídios colectivos”.

    Até porque o faro canino, e sua capacidade completamente superior à humana…



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