Archive for 10 de Maio, 2009

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Sexta-Feira 13, dia de Mercado

10/05/2009

No Largo terraplanado onde outrora existia só o vale da Ribeira do Ambrósio, a turva água e as árvores, era Sexta-Feira 13. E, como em qualquer outra Sexta-Feira 13, era, inevitavelmente, dia de mercado em Monchique.

Confundem-se-me os sentidos em dias de mercado:

O som dos ferros a bater enquanto as estacas cravam o chão, os contrastes de tons pastel das lonas das tendas, as melodias das cassetes e CD’s piratas, gastos por vozes de artistas pimba que só os tendeiros e ciganos sabem cantar de cor, e cujas capas amareladas definham ao laranja do sol que as carcome impiedosamente, mercado após mercado.

O cheiro a guloseimas dissipado por entre a acidez das bolas de naftalina, leva-me a perguntar a mim próprio o que é que é o quê. Se são as gomas que se deixam contagiar pelo cheiro “nafatlínico”, se são as bolas de naftalina que estão embrulhadas no celofane vermelho dos flocos de neve.

São os tendeiros, aninhados nas barracas desertas de fregueses e de empurrões, apregoando calma e a liberdade de escolha nos pares de peúgas, todos iguais, com risquinha e com raquete, e que fritas, com ovo a cavalo, talvez se mastiguem melhor que alguns bitoques que por vezes nos calham em sorte em restaurantes típicos. 

E são os berros e os choros “achibatados” dos garotos ciganos, que se tornam agrídoces naquele óleo fervilhando  ranço, na tenda dos churros, serengonhos, malaquecos e filhós.

Gosto do mercado e do enleio que me provoca aos sentidos. Por lá passo a caminho do trabalho, por lá deslizo quando regresso a casa.

Enquanto atravessava o caminho que se ergue sobre o largo, feito de pedras soltas e arranhado pela chuva, aquele dia de mercado, Sexta-Feira 13, transformou-se em dia de azar. Não para mim, mas para a cigana que no meio do caminho, de cócoras e saias pretas nas mãos, com as costas voltadas, defecava aquilo que um dia depois mais parecia uma cepa de urze encrespada nas pedras soltas e nas daninhas.

Mantive o rumo e desviei-me daquela figura como se nada fosse. Maldita a hora em que passei pelo mercado e não parei para comprar um par de peúgas antes de subir o caminho ladeirento e de pedras soltas que me leva até casa.

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Rigor Informativo

10/05/2009

É mais uma historieta da revista Gina? É o cartaz publicitário onde se anuncia o novo filme do Sá Leão? É o documento que prova para onde foram desviadas as poupanças dos clientes do BPP?

Noticia Correio da Manhã

Não!!! É mais uma das prodigiosas notícias veiculadas diariamente pelo jornal mais vendido em Portugal, Correio da Manhã.

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Estatística ou Tortura? II

10/05/2009

«The test of all knowledge is experiment. The test is the sole judge of scientific truth».

Com o pensamento inundado pela afirmação de Richard Feynman, prémio Nobel da Física em 1965, parti ontem, mais uma vez, rumo a Lagos. O objectivo era submeter a um novo teste a teoria avançada anteriormente, aqui no Terra Ruim, de que sempre que assisto a um jogo do Benfica naquela cidade, o resultado final é, inexoravelmente, negativo para as águias.

Ontem, 9 de Maio de 2009, foi dia de jogo no Estádio da Luz e, estando eu  na cidade de Júlio Dantas à hora do jogo, o empate contra o Trofa em nada me surpreende. O coeficiente de determinação entre o número de idas a Lagos e número de resultados negativos do Benfica encontra-se, ao fim de todas as baterias de testes e experimentações estatísticas desenvolvidas, muito próximo de 1.

Começo a perder a paciência com aquela amaldiçoada estátua risonha do Júlio Dantas e a pensar que o marrão que o meu pai tem guardado na caixa de ferramentas, me poderá vir a ser útil, muito brevemente, aquando de uma deslocação a Lagos em dia de jogo do Benfica. Morra o Dantas, Morra!

Peço desculpa a todos os Benfiquistas pelo buraco em que meti o nosso clube. No entanto, fica a promessa de que os testes e exercícios estatísticos vão prosseguir, sendo que numa próxima deslocação a Lagos em momento de jogo, irei equipado a rigor, qual verdadeiro adepto que acredita que o sucesso do clube depende da idumentária adoptada.

Assim, na próxima oportunidade, visto o fato de macaco (vermelho), máscara de soldar, marrão e rebarbadora nas mãos e por cada golo do adversário, ao invés de cantar «SLB SLB SLB, Glorioso SLB…», gritarei «Basta PUM (som de uma marretada na estátua) Basta!!! Morra o Dantas PIM (nova marretada e cai uma orelha da estátua) Morra!!! Não sobrará um só pedaço de metal “dantesco” a estorvar as exibições do clube da Luz.

DANTAS E DANTAS, DANTAS, DANTAS, DANTAS… E DERROTAS POR CAUSA DO DANTAS – APRE!!!