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Eiras de Castelões ou a vida no campo

07/08/2009

«I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived.» Henry David Thoureau – Walden, 1884.

Foi uma jornada de 4 dias, com o meu companheirão Rui Barros e o pai, o Maestro António Alves, suando as estopinhas, às topadas com touças de carqueja e urze, arranhados pelo tojo e pelas silvas, embrenhados nos pinhais salpicados por birrentos carvalhos alvarinhos indiferentes à colonização das pinhas e às baforadas da essência de eucalipto. Lá em cima o Caramulo, um altar de chão insuflado rasgando os céus, atapetado por contrastantes pigmentos clorofilinos, sulcado por frescas ribeiras de água infinita e transparente onde pude, pela primeira vez, ver lontras em liberdade.

Aqui e acolá penedos abaulados, alminhas e casas de uma áspera pedra de granito desgastada às sucessões do sincelo e do orvalho. De manhã, à saída para o campo, quatro agoirentas gralhas planavam os céus dando os bons dias à comitiva.

Novo, para mim, foi arrebatar-me por brenhas, matos, calhaus e costumes desconhecidos. É claro que já sabia os meandros de uma vida prática e simples, feita de punhados de nada que sabem a muito, pelos tempos passados na casa da minha avó, hoje majestosamente transformada numa galeria de arte perdida na Serra de Monchique.

O levantamento com recurso ao receptor GPS também não foi o primeiro. Nem o último, certamente. A máquina funcionou na perfeição e não haverá courela ou quinhão de terra por desvendar no registo fundiário da família Barros.

São dias que sabem bem embora o Mundo não pare. E o mal que me faz voltar a casa e aperceber-me disso uns minutos depois…

Fotografia: Serra do Caramulo

Fotografias: Serra do Caramulo

 

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5 comentários

  1. Mítico! Ficarão para a história frases como “Já estaij a fumar! Levai antes uma braçada de caruma pra acender pelo caminho!” ou “São ciganoj… Correm tudo.. Vão buscar coijaj a espanha, pra vendere.”
    Só faltou teres tirado uma foto ao quadro “La vie de Jesus”, era muito boa também. Ou à filha do Varelaj..

    Grande amigo, se tu não fosses ninguém aguentava com o meu mau humor! Nem eu!


    • “Não idej fumar para oj pinhaij, que é perigojo!”. Eh pah, esses quadros que lá fiquem, por muitos anos. A mim, metem-me é medo!

      Foi uma bela vidinha, com o bando de quatro gralhas agoirentas logo de manhã, um morcego e o teu amigo mosquito, à noite. A merda é que “continuaj com o medo metido na cabuexa” e não há maneira de fazer de ti um homem!

      Mais uma vez, obrigado por tudo.


  2. Estou com mta inveja 😉


    • Recomendo vivamente a todos quantos querem um pouco de bucolismo para descansar. 😉


  3. Caríssimo
    Só agora dei com isto. E cá em casa, pior que túmulos, tenho gente calada que de nada me avisou.
    Como mais vale tarde que nunca – lá diz a maralha – aqui vai o meu comentário:
    Pois realmente foram uns dias passados em beleza.
    Pena não voltarmos lá…
    Pode ser que um dia. Já não será com a Tia Lucília que já lá descansa à sombra da velha Igreja de Castelões, com era seu deseja, mas com um ranchinho de malta de boa cepa como vossamercê.
    Bem haja, omo se diz lá na zona!
    Abraço



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