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É por estas e por outras

18/10/2009

A propósito do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, assinalado ontem (17/10), foi noticiado que  18 em cada cem portugueses se encontram incluídos no grupo dos chamados pobres. É muita gente! Gente privada de muita coisa para conseguir viver condignamente!

O problema da Pobreza ultrapassa a noção comum directamente ligada a questões de rendimento ou despesa monetária abaixo de um determinado limiar. São Seres Humanos, grupos de populações sem recursos suficientes para a satisfação das suas necessidades por meios próprios, agarradas à “subsidiodependência” e outras formas de acção social. Pessoas sem capacitação própria para viverem de acordo com padrões de vida e conforto considerados dignificantes.

Nestes grupos de cidadãos inclui-se grande parte daqueles a quem se dirigem os predestinados paladinos da economia de casino, recorrendo sistematicamente ao piropo populista: «vai trabalhar malandro». Ferrenhos pela fragilização das relações laborais e pelo trabalho precário, os cavaleiros da privatização da educação, da saúde e da segurança social, estão-se marimbando se estas áreas são campos basilares na promoção da igualdade de oportunidades, na capacitação pessoal e implementação da justiça social. Ora estes campos são, tão só, os elementos essenciais ao combate à Pobreza e cuja provisão deverá, por isso, ser de natureza pública e universal. A estas sumidades da agiotagem, mosqueteiros do azedume, digo eu:

Vão mas é para o mercado de bens transaccionáveis, malandros!

sssc

Imagem retirada do teledisco 100 hundred little curses dos Street Sweeper Social Club.

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8 comentários

  1. Não estivesse eu obrigada a uma coisa chamada sigilo profissional, e muito teria a dizer a este respeito. Isto, na perspectiva de alguém que trabalha diária e directamente com subsidiários do RSI, CSI e por aí fora. E ainda te apresentava a algumas pessoas que trabalham, há anos, nesta área. Sem prejuízo de concordar com algumas ideia que apresentas e tendo como objectivo único proporcionar-te informação adicional sobre estas temáticas.

    😉


  2. Hummm, esta questão tem muito que se lhe diga amigo Edu! É que às vezes bem que me apetece dizer a certas pessoinhas para irem trabalhar. Isso não invalida que esteja totalmente de acordo que os níveis de pobreza são directamente proporcionais aos serviços oferecidos pelo Estado. Mas então chamemos mais imigrantes cá para dentro para fazerem filhos que no futuro paguem as reformas e serviços médicos dos nossos reformados. É que pelo andar das coisas não há cú nem Estado que aguente!! Sou por um Estado Social, mas um Estado que leva nas orelhas enquanto os seus cidadãos coçam os…. também não dá!! Bora lá trabalhar, inovar, puxar pela mona!!


  3. É com muito prazer e ternura que saúdo os vossos regressos ao painel de comentários às postas do Terra Ruim, Carina e Shanti. Como sabem, funcionam como fluoxetina…

    Quanto ao que dizem, percebo-vos. Porém, uma coisa é a Pobreza, outra a “Chico Espertice Lusitana”, sendo de enaltecer:

    1- A Pobreza existe (basta que exista um pobre em cada 100 pessoas) e a sua determinação não deve ser subjugada a simplórios critérios de rendimento;

    2- O Combate à Pobreza e à Chico-Espertice de quem se faz passar por pobre deve fazer-se com a promoção de bens públicos que permitam aos indivíduos ganhar poder de consumo, de participação, valorização pessoal e acesso a bens e serviços tidos como padrões de bem-estar pela sociedade onde se inserem;

    3- Os mesmos que defendem o Mercado como solução para todos os problemas e reduzem o fenómeno da Pobreza ao pecado mortal da preguiça, esquecem-se que ao defenderem a entrada do capital privado em bens e serviços de provisão pública estão a vedar o acesso a canais de eliminação da pobreza a quem, não obstante a vontade, tem poucos recursos financeiros para o fazer. Resultado: Mais Pobreza, mais dependência face aos apoios do Estado.

    4- Como se pode comprovar, esta economia de casino não gera empregos. Trata-se de um sistema especulativo financeiro intangível, onde vale tudo. Até, imagine-se, investir em Fundos de natureza nebulosa, de altíssimo risco, com o dinheiro dos contribuintes… E, como sabemos, este tipo de economia de casino pode até gerar coisas positivas, menos emprego.

    Um beijinho grande para vocês e obrigado pelo vossos comentários enriquecedores! 🙂

    P.S. Shanti, os que dizem recorrentemente “vai trabalhar, malandro”, são precisamente os mesmos que dizem “vai-te embora para a tua terra…” em relação aos imigrantes. 😛


  4. Edu, não podia estar mais de acordo contigo. Quanto aos que dizem “vai-te embora prá tua terra” isso há de tudo: tanto os que dizem” vai traballhar, malandro” como os que vivem às custas dos impostos alheios. Beijos e parabéns pelo novo blog 🙂


    • Espero que seja o NOSSO novo blogue. Gostava muito de contar contigo, a tua sapiência e criatividade na demanda…


  5. Olá, boa noite Eduardo!
    Desde as primeiras linhas deste blog que o/te acompanho com curiosidade, no entanto, ainda não tinha tido a oportunidade de aqui deixar um comentário. Acontece agora pela temática e pelo cuidado que me desperta e se me impõe. Antes de tudo, os meus parabéns pelos artigos de reflexão que aqui, de quando em vez, colocas.

    O tema da pobreza é-me especialmente caro pelo facto de ser padre e de, quase diariamente, me deparar com situações e pessoas que procuram sobreviver com aquilo (pouco) que têm. Em cada pobre temos uma pessoa, uma história e uma vida, da qual muitas vezes dependem outras, e este drama que hoje chega aos 18% tem tendência a aumentar devido ao modo e ao nível de vida a que muitos se habituaram sem terem para isso condições…

    Que fazer?
    O mais fácil é apresentar soluções rápidas e imediatas, contudo, julgo que o mais eficaz é ajudar a uma sensibilização de fundo que ajude quem não tem a perceber o que é essencial, e a quem tem, a partilhar e a minorar o sofrimento e a falta de meios dos primeiros.

    Este caminho, aparentemente fácil é duro, muito duro e muito largo… e é um autêntico desafio a comodidades e sensibilidades. A partilha e a doação são sempre a entrega de algo que faz parte de nós (daí nem todos conseguirem) e devem ser um meio de ajuda ao crescimento/desenvolvimento do outro.

    Podemos, após este preâmbulo, entrar naquilo que acima classificam de “chico-espertice”, que é condenável, mas segundo aquilo que me é dado perceber não me parece que esses queiram ser incluidos no grupo dos pobres.

    Este grupo, hoje, em bastante número tem uma outra realidade e experiência/sentimento, a vergonha…
    Numa sociedade que busca perfeições e belezas não é de “bom tom” ser pobre e isso faz com que se envergonhem e retraiam.

    Desculpa ter-me alongado quando apenas queria fazer um comentário… defeitos de padre, talvez…
    Um abraço e bom trabalho! E, já agora, boas reflexões, aqui e no “escalavardos”.

    Pedro Manuel, padre


    • Meu ilustre amigo Pedro;

      Nem sabes como me deixa satisfeito ver-te participando activamente na família do Terra Ruim. A tua opinião é daquelas que enriquece as reflexões que aqui pretendo lançar de quando em vez. Também eu tenho dado umas espreitadelas ao A Talho de Foice e, já nesta posta, me tinha referido à vocação para a árdua missão que abraçaste e à tua competência no seu exercício.

      Tocas num ponto fundamental: cada pobre tem uma história diferente. São sentimentos, momentos e expectativas que estão em jogo, não números e numerários. Com efeito, chegamos facilmente à conclusão de que a pior das pobrezas é a pobreza de espírito, tantas vezes na fronteira ténue e imediata com a Pobreza. O sucesso da luta contra a desigualdade passa, afinal, por aquilo que cada um de nós pode dar.

      Muito obrigado pelo teu comentário. Será para mim uma honra enorme voltar a ter-te mais vezes por aqui. 🙂 E, por falar nisso, faço-te desde já o convite a que sejas um dos colaboradores dos Escalavardos, um espaço que também é teu por direito: de nascimento, sensatez e sabedoria.

      Um forte abraço.


  6. Caro Eduardo, boa noite!
    Apenas uma palavra de agradecimento pelo que me dizes e pelo convite que me diriges. Neste momento não posso dar resposta positiva ao mesmo devido às inúmeras solicitações que a minha vida tem. Quem sabe em breve possa integrar, com orgulho e muito prazer, o grupo/irmandade dos escalavardos.
    Um abraço e até breve!
    Vou aparecendo por aqui!

    Pedro



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