Archive for Abril, 2010

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Mark thing: sex on fire

30/04/2010

Fotografia: Portimão. Enviada por Carlos Emanuel Martins.

Vista com a lupa freudiana  desta desgarrada música, a pérola despe-se da sua condição «sexionada» e amplia-se a um estatuto holístico, que atiça a quimérica criação.  Freud, sabia-a toda…

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Nó górdio

29/04/2010

Imagem enviada por Rui do Parral

Foram tantos os anos de aprendizagem nos Escuteiros que, no adeus àquele Movimento, espraiou a sensação de ter ficado qualquer coisa, que podia ser um nó, uma amarração ou uma técnica de orientação, por aprender ou desbravar. Hoje descobri, no conjunto de nós e amarrações para os quais, confesso, nunca ter revelado habilidosa querência, aquele que imprudentemente me escapou: o «nó próprio».

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Diário da República

29/04/2010

Imagem enviada por anónimo

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Engenharia da Comunicação

27/04/2010

Imagem: TVNET

Que uma matula de símios me afinfe umas dentadas se a notícia acima não é a melhor forma de corroborar a ideia desatinada de que vivemos num país virado para doutores e engenheiros. No local da ocorrência estavam dois carros de bombeiros, um jipe e um engenheiro. Como se a presença charlatanesca do diplomado determinasse a gravidade do evento danoso noticiado.

Isto para não falar no modo completamente enviesado como é tratado o conceito de risco.

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Posta sobre a tolerância

27/04/2010

Com as ventas enjeitadas pelo pólen apimentado das mostardeiras, o padre de uma paróquia que só não é a minha, ou a do leitor, se nenhum de nós os dois e mais o dito pastor assim o entender, amadureceu o dom de apontar, excomungar e chamuscar em olhares afogueados de um Gregório IX, a cambada penumbrosa de ovelhas facínoras marcadas com o ferrete esconjurado de não servir de sabujo aos irresolutos temperamentos do prior.

– Ele conhece-nos  a todos pelo cheiro. Fareja-nos a aura e nunca mais se esquece da rês da gente. – diz aos convivas o Manel Salu, uma alminha telenovelesca, santarrão dos pés à cabeça, que tem colados no vidro de trás do papa-reformas baralhos de imagens de Santinhos, Nossas Senhoras, Anjos e Arcanjos.

E nisto, os sinos repicam, não se sabe se a missa se a finados, e passa a figura pequenina, sibilante e apressada do pároco que a todos abençoa com fugazes apertos de mão. A todos não! O João da Junça fica com a mão firme e suada suspensa no ar. As narinas de perdigueiro do padre, e as dos outros ali alinhados como pardais nos fios do telefone, snifam e reconhecem-lhe o cheiro espadaúdo e ateu, exercitado por anos laboriosos de foice e de martelo, sem tempo nem motivos para pensar em bajuladoras indulgências.

– Eh… oh “” prior! E eu, não sou filho de Deus? – espanta-se-lhe a voz desacreditada num bojardo, à solta no eco das paredes da rua onde a sombra do padre mirra sem se mostrar repesa, até  nova bojarda lhe rebentar nas goelas de morteiro, abertas de par em par:

– Oh “sô” prior, posso até ser Comunista, mas não como criancinhas!

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Mark thing: Engenheiros de obras feitas

26/04/2010

Imagem enviada por Ana Maria Pinto

Este lugar lusitano que habitamos, tem, entranhados nas vísceras do código genético, cada vez mais cromossomas que fazem dele um país de doutores e engenheiros. E, não sendo de todo impossível mudar de nome em Portugal, impressiona o número de pessoas que só escolhe fazê-lo depois de concluído com sucesso um percurso académico, dando-se o caso formidável de, dentro de um quase ilimitado cardápio de nomes, muitos acrescentarem “doutor” ou “engenheiro” como prefixo de outros nomes que verdadeiramente os identificam como gente.

Feita a pensativa introdução, não estranha a estratégia de marketing da imagem, apostada na sinonímica “suor” e “transpiração”. São, de facto, sinónimos. Todavia, não são sinónimos inocentes. O trolha sua as estopinhas no trabalho penoso de erguer as paredes que o impedem de chegar ao estatuto transpirado e transluzido do engenheiro. Como a profissão determina diferentes disposições fisiológicas, sempre é melhor ter dois tipos de capacete, não vá dar-se o caso de alguém ser tratado por um nome que não é o seu.

ADENDA:

Em boa hora o Pedro Aniceto, corifeu do Reflexões de um cão com pulgas, uma das estrelas polares do Terra Ruim, me espertou para a presença de uma outra pérola no reclamo. «Alcochoado», é palavra que não consta em nenhum caderno de significados da Língua Portuguesa.

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Mark thing: existem funerais e funerais

22/04/2010

Fotografia: Atrium Saldanha, Lisboa.

Haverá coisa melhor para embalar um defunto no sono profundo da eternidade, que o espírito criativo de um raminho de flores a aformosear a tumba?