Archive for Outubro, 2010

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Casa dos Degredos

28/10/2010

Imagem: tvi.pt

Há, entre os espécimes masculinos da manada humana, um código de sobrevivência que, de forma espontânea ou ensinada, revela os mais elementares gestos e acções no sentido de ter, por exemplo, as mãos constantemente quentes e, assim, prontas a reagir às infinitas solicitações que obrigam a sua utilização quotidiana.

Atendendo a que, na imagem acima, os sujeitos aparentam estar acalorados, sem casca no tronco, não devem ser frieiras nas mãos mas sim piolhos a parasitar a zona da púbis de um deles.

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Ser ou não ser

28/10/2010

Imagem: Capa do Jornal de Negócios 28/10/2010

No meio da situação gravíssima que o país atravessa, ainda há parangonas que, de tão originais e objectivas, conseguem, em poucas palavras, conduzir-nos ao essencial das questões. Sócrates é igual a Passos Coelho, são ambos bois de canga a puxar o carro da lumpemburguesia. É ou não é?

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Henrique Venda

22/10/2010

Vós sabeis, e sabeis de ciência exacta porque me visitais com a constância de um amigo, que o corifeu deste vosso blogue não tem, com este vício que é como a ânsia dum cigarro antes de adormecer,  qualquer intenção de cavar tesouros ou fazer fortunas. Faço isto para pôr a nu uma sofreguidão íntima que há em mim. De humanidade, de sorrisos, de partilha e união aos meus semelhantes.

É por isso que hoje vos vou falar do Henrique Venda. E falo-vos dele como se vos dissesse que existe entre nós um homem, que consegue voar no vácuo tendo como propulsor o punho direito de uma mota que o ergue do chão e o faz flutuar contra as leis da gravidade. Quem vê o campeão nacional de supercrosse parado nos ares, fica com a sensação de que este  rapaz é uma mistura de Anteu e Ícaro renascidos Homem. A perder o pé à terra na lisura e elegância de cada salto, suspenso, a fazer frente ao balão do sol, é justamente no pó destes elementos da Natureza que vai buscar a solidificação maciça que o catapultou em pistas espalhadas por esse Mundo fora. Com ele, estiveram sempre os nomes do Algarve e de Portugal. Um país tão encolhido e exíguo, que só estica pela laboriosa acção da mão hábil dos seus artistas ou pelo virtuoso suor dos seus atletas.

Foi nesse desígnio de predestinado que o Henrique partiu, na passada semana, para o Supercrosse de Marselha.  No entanto, um grave acidente sofrido durante uma manga de qualificação, atirou-o para um hospital daquela cidade borrifada pelo Mediterrâneo, onde se encontra agora internado, em estado de coma. Tem a seu lado a família, um pilar que o acompanha incondicionalmente, insuflando-o da confiança e motivação necessários aos desafios em que desde tenrinha idade se viu envolvido.

O Henrique tem um talentaço imenso, uma humildade e sagacidade gigantescas que o tornaram num dos mais puros e absolutos campeões com quem tive, até hoje, a supina honra de privar. E ele sabe, como também nós sabemos, que os grandes campeões só o são porque transportam a força, a vontade e a esperança acérrimas de quem os apoia e sofre com eles.

Porque os apoios oficiais são escassos e limitados, e porque o nosso campeão precisa neste momento, mais do que nunca, de continuar a ter a sua família por perto e assim garantir uma rápida e adequada recuperação, sejamos todos solidários nesta «manga» difícil. Vamos mostrar que o Henrique Venda é o mais especial dos Campeões, porque tem os melhores fãs a apoiá-lo nesta corrida!

Para o efeito, encontra-se aberta uma conta solidariedade para com o nosso campeão, com o seguinte NIB:

0033-0000-45402020015-05 (Millenium BCP).

Que me perdoem pelo cliché, mas esta é exactamente a corrida mais importante da vida do Henrique. O seu ponto metafísico de superação. E, com a nossa ajuda, irá certamente triunfar. Está na sua natureza. Audaz, tem a vitória nos genes, só sabe correr para ganhar. 

Henrique, uma música de alento, de força e esperança, que me sai das falangetas como um urro estrondoso de incentivo: 

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De vez em quando

17/10/2010

… mas só muito de vez em quando, a comunicação social abre as portas a um debate plural em matérias de economia, de escolhas, de opções, de rumos. Porque, numa sociedade madura e democrática, não há um só caminho inevitável, como fatidicamente defendem os postilhões da pedante ortodoxia neoliberal.

Imagem via chargesbruno.blogspot.com

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Los 33

14/10/2010

Esperei, com a paciência de 33 Jobs, pelo término das operações de resgate dos mineiros encurralados no deserto de Atacama para poder finalmente lavrar as palavras que me apetecem dizer sobre o assunto.

Solidário com as atribulações das vidas de cada um daqueles 33 homens, desesperadamente passadas nas profundezas da escuridão, não foi a primeira vez que me senti mineiro. Nem a segunda.

Na primeira, a descida de umas dezenas de metros nas Minas de Neves Corvo, durante uma visita de estudo da primária, apenas me fez perceber que há homens que vivem como as toupeiras. Em busca de tesouros guardados debaixo das pedras, entram nas entranhas da terra através roscas de artérias helicoidais e transformam a luz leve do dia na densidade do breu. Noite cerrada.

A segunda vez que me senti mineiro foi quando li Manuel do Nascimento, Engenheiro de Minas, escritor da minha terra e sofredor da mesma agónica opressão que tolhia de negrura o quotidiano dos mineiros de então. Aquilo que escreveu num conto chamado “Nada de Importância“, em o ” O Último Espectáculo“, é uma súmula dos últimos dois meses de vida dentro do tutano do deserto chileno. Basta substituir “quatro” por trinta e três, e “aldeia” por mundo:

« Levantei-me e fui à porta. O vulto de um homem esperava-me à distância.

– Que há?

– Abateu a galeria 5.

– Toda?

– Não, senhor engenheiro.

– Estava lá alguém?

– Quatro [33] homens.

– E então?

– Ficaram lá todos.

[…]

Era preciso chegar. Outros homens corriam também. Toda a aldeia [Mundo] se levantaria ao saber do desabamento.»

Ontem, voltei a sentir-me mineiro, multiplicado por 33. E chileno, também. Nos ossos, nos nervos, na carne, na pele e nas pilosidades daqueles homens. Na intemporalidade, universalidade, pertinência e sagacidade da pena de Manuel do Nascimento.

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Tempo

11/10/2010

Tempo, passa só, não corras

Feito parvo atrás desse segundo

Que muda o Mundo.

Não morras pendurado no ponteiro dos minutos dessa hora

Que te atrasa o Destino.

Adianta-te no caminho,

Perde-te, e vai-te embora.

Tempo, se queres ser agora

Absoluto, infinito, eternamente,

Olha para trás e foge para a frente.

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Geografia dos “Amaricanos”

10/10/2010

Transviado em alphadesigner.com/project-mapping-stereotypes.html