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História de Portugal

04/10/2010

No espírito dos velhos cavadores, pedreiros, madeireiros e almocreves da minha terra há uma manha instintiva de pragmatismo e objectividade que torna espontânea e autêntica qualquer acção por eles empreendida. Em cada um destes homens há um poeta, e os versos saltam-lhes da boca como perdigotos.

Há dias, de olhos fincados no desmesurado deserto azul do mar, comentava com um desses homens a intrepidez de Pedro Álvares Cabral, que, com uma casca de coco e um guardanapo, saíra a drapejar pelo Oceano fora até chegar casualmente ao Brasil.

– Essa é a história da malta nova! A minha foi toda feita em verso. – respondeu, orgulhosamente, atirando mais achas ao lume que se lhe acendia no brilho dos olhos:

Diz-me lá meu avozinho

se há pelo ar caminho

do Brasil a Portugal.

Há sim, meu querido menino,

descobriu-o Gago Coutinho

e Sacadura Cabral.

Calei-me, e, continuando a fitar o horizonte, respirei fundo a saúde destas palavras e do mar.

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One comment

  1. Tenho 77 anos e, pelos meus 7 aprendi, com o me velho professor Baltazar o poema acima, mas com ppequenas variantes:

    – Diga avozinho
    Se pelo ar há caminho
    de Brasil a Portugal!
    Há, sim, netinho
    Fê~lo fê.lo Gago Coutinho
    E Sacadura Cabral!

    É bom recordar

    Roque Loth



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