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Monchiqueiros ou Monchiquenses?

06/10/2010

Sobre o arrazoado que levantou fervura numa posta publicada num blogue da terra, em que se discutia a semântica dos termos «Monchiqueiro e Monchiquense»:

«…no que respeita aos arrazoados do folhetim «Monchiqueiro / Monchiquense», a nossa identidade e significação específicas, são como a dureza óssea da Fóia e da Picota: vêm de dentro, das profundezas dos âmagos. A erosão, corporizada nas forças externas dos elementos, atacando como pode o nosso perfil cultural de pedra, só retalha lanhos onde este se mostra mais enfraquecido».

E creio que isto é que é o orgulho essencial que jorra da fonte natal.

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7 comentários

  1. Gosto desta questão porque tem alguma substância filosófica. Monchiqueiro ou monchiquense não é assim tão importante mas eu cá por mim acho que sou mais da primeira lavra. Tive até com alguns companheiros e (as) responsabilidade na reabilitação do termo quando se fundou a Associação O Monchiqueiro Grupo de Dinamização Cultural.
    Vai daí até acho piada a algumas citações em livros do tempo de Raul Proença (Guia de Portugal)quando chama aos habitantes desta serra, monchicanos. Pensando bem e recalcando desejos de ir ao México, a coisa também se gasta.
    Seja como for, monchiquêros sempre.
    Um abraço
    Zé Gonçalo


  2. Os intelectuais cá da terra são assim. Até nos comentários procuram-se uns aos outros como se duma casta se tratassem.


    • Complexo de inferioridade ao mais alto nível. 🙂

      Relativamente à questão em causa, raramente (ou nunca) me autodenomino como monchiquense. Se é correcto ou não, sinceramente não me interessa muito. Interessa-me muito mais que percebam que sou de Monchique.
      Se alguém usar monchiqueiro com sentido pejorativo, who gives a fuck?


  3. é verdade, os ‘intelectuais’ cá da terra vêm todos aqui comentar. logo, sinto-me intelectualmente coagido a fazê-lo, pois sou extremamente intelectual. principalmente quando adormeço. quer dizer, quando acordo também, e a seguir ao almoço, umas vezes mais, outras menos.

    como intelectual que sou (espero que a ironia das minhas palavras seja intelígivel, especialmente para o provinciano), devo fazer dois comentários ao comentário supra digitado:

    i) a pobre construção frásica («Até nos comentários procuram-se uns aos outros como se duma casta se tratassem») é espelho de ignorância e não de provincianismo.

    ii) tal comentário é completamente despropositado, não lhe vendo qualquer sentido, perante aquilo que foi ‘postado’. ainda assim, como foi acima mencionado, embora noutros termos, a liberdade de expressão abrange também a verborreia.

    iii) por último, como o título do comentário acima sugere, dada a total inoportunidade da referência a uma ‘casta de intelectuais que se auto-procura’ (eu ainda gostava que alguém me definisse o conceito de intelectual), tal não poderá outra coisa ser que um severo complexo de inferioridade.

    relativamente ao confronto entre os termos ‘monchiqueiro’ e ‘monchiquense’, lembro-me como o primeiro é usado por ‘estrangeiros’ de forma pejorativa, enquanto por ‘nativos’ é utilizado de forma orgulhosa.
    por mim, prefiro o termo monchiqueiro, por me parecer estar mais enraizado na terra e por (eu) ser orgulhoso (ainda que o meu conterrâneo amigo e autor do presente blogue não acredite). ainda assim, monchicano denota a leveza da veia pistoleira de todos os monchiqueiros, o que me apraz especialmente.
    assim, monhiqueiro, monchicano ou, mesmo, monchiquense, o que interessa é vazar convenientemente as espingardas de pressão que todos guardamos no armário nas rótulas de todos os ‘pronvicianos complexados’.


    • * três comentários


  4. Não compreendo, talvez porque sou burro, quando um comentário que os enalteceu provocou tanto atrito.

    Isto só prova que neste blog “terra ruim” não é qualquer Zé-Ninguém que pode aqui fazer comentários, livremente, como vejo fazer noutros blogs onde o português não obedece a tantos rigores. Aqui quando o mesmo não é conveniente é logo escorraçado.

    Casta- foi emprego no sentido em que todos vós têm cursos universitários, não discuto aqui se com mérito ou sem ele, e portanto se distinguem dos chamados “monchiqueiros”. Quer queiram, ou não, já pertencem a outra classe. A chamada classe média alta. Foi para isso que estudaram para cumprir esse objectivo.

    Intelectuais – Porque todos vós têm uma actividade relacionada com o uso preponderante do intelecto. Isto é a vossa facilidade de compreender e entender melhor o que se passa à vossa volta. Quem melhor do que vós para interpretar e definir os vocábulos em causa.

    No final portaram-se como um clã. Todos vieram em defesa uns dos outros. E os epítetos não faltaram desde ignorante a ter complexos de inferioridade etc.…etc. …

    E a frase foi esta: “Os intelectuais cá da terra são assim. Até nos comentários procuram-se uns aos outros como se duma casta se tratassem”.

    Nunca pensei que formar uma frase com intelectual e casta, juntas, fosse tão pejorativo. Formada com ”Monchiqueiros já sei que não é!

    No final acabo por ter mais que razão: não fossem vocês tão inteligentes e nunca teriam descoberto tanta maldade, junta, onde ela não existe.


  5. se foi má interpretação, peço desculpa pelo meu jocoso comentário. porém, a má interpretação aparece, na maioria das vezes, por uma formulação dúbia daquilo a ser interpretado.
    tanto o termo casta, como intelectual, carregam quase sempre um sentido pejorativo. daí a, porventura, má interpretação.

    agora, com o devido respeito, discordo totalmente da distinção entre classes em virtude de ter um curso universitário ou não. mas discordo visceralmente, porque nesse caso a igualdade sobrepõe-se obviamente.
    e, já agora, pelo menos eu, não studei por chegar a uma outra classe social. a razão é, neste caso sim, puramente intelectual (pois se encontra ligada ao intelecto). estou-me pouco cagando para o resto.
    por fim, essa definição de ‘intelectual’ não me parece correcta porque a actividade em si pode ou não estar ligada ao intelecto (isto, de uma perspectiva stricto sensu). de uma perspectiva ampla, toda e qualquer actividade tem uma ligação, por mais remota que seja, ao intelecto e, logo, todos seríamos intelectuais. o termo, em si, parece-me arrogante, daí que, há algum tempo que venho a furtar-me à sua utilização.

    mas, novamente, esquecendo os conceptualismos, se a interpretação foi incorrecta, como parece ter sido, peço desculpa pelo comentário que fiz.

    um abraço a todos.



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