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Invernia

22/12/2010

Sabe Deus a aflição que foi. Metido na tarde, na obliquidade da chuva e de uma solidão purgativa que, ao invés de  afastar-me do Mundo, me faz comungar da sua significação holística, sem pena e sem papel onde cunhar a sensaboria insossa destes versos, desci do alto da Fóia como um beato num rogatório de procissão, recitando a oração colhida na vessada do ponto mais alto do Algarve, até finalmente lhes ter mão aqui:

Estende-se o vácuo deste Inverno

No comprimento do céu, liso, em voo rasante. 

E não há aqui uma só alma que cante

Um verso terno

E triunfante

À chuva pálida da tarde

Pesada, que em chumbo se declina.

Alguém que lhe exorte,

Com pantomina,

O Frio que arde

Num sopro inexorável, sem quadrante, sem Norte.

E se não há já quem louve a Natureza com poemas

À força fecunda desta Terra,

Mãe de Anteu,

Subo ao talefe mais alto desta Serra

E canto-os eu!

Fotografia: Humberto Veríssimo

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