h1

Cortiço

01/03/2011

Deu gosto ver. E sentir. Cinco perfumados minutos, transido, a observar o trabalho metódico e dignificado de um enxame de abelhas em dois tufos acamados de alecrim, à hora em que o foguete do sol mora no zénite. Com o mesmo rigor da labuta apícola, examinei, rondei, contemplei, especulei e desejei caldear-me no zunzunar harmonioso e polinizado que me aferroava as vistas.

Mas, por muito que a cera das mantras budistas me ilumine toda a largueza do espírito, logo dei conta da impossibilidade de juntar-me à doce jorna: o meu enxame é humano, o meu cortiço é o Mundo, e o mel que tenho guardado nos favos da alma é amargo como o candeio dos medronheiros.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: