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Saibo

27/10/2011

Foi de caixão à cova. Dias seguidos numa luta surda, num corpo a corpo com uns versos, à espera de uma talisca por onde franquear tanto pudor. Simplesmente, como um mouro renegado, de sentinela frouxa à porta da traição, deixei correr novamente:

Em tudo o que escrevo

Há um saibo de amargura,

Um travo de desgosto.

Um pingo de tristeza destilada

Numa secura

De alma e de mosto.

Um pouco de angústia, um quê de tormento.

Um tudo já de nadas

E duas mãos apertadas:

Um sufoco de aniquilamento.

Serra!

E tudo o que escrevo se enterra

E contradiz.

Tudo em mim se abala e se recria

Numa silenciosa sinfonia

À terra e à raiz.

Fotografia: Humberto Veríssimo

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2 comentários

  1. É sempre um gosto visitar o teu blogue. A escrita é cativante e viciante. Parabéns. Volto sempre e sinto. Nem sempre comento mas volto e sinto. Até já 🙂
    Abraço!


  2. Veneno e antídoto, a Serra. 🙂



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