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29

30/12/2011

Circunferência imperfeita a contornar o número que assinala este fatídico dia natalício no calendário. É mais um ano de ajuste de contas com a faina medíocre do destino que, ao cabo e ao resto, tenho renegado e engolido sempre de má boca. E o tempo, apressado, a voar-me das mãos. O que é sofrer sem sofrimento. O que é um homem ser céu aberto a qualquer inquietação, lutar, e sentir-se a perder em cada acto. Mas, enfim, de que servem lamúrias e protestos se tudo, em absoluto, é vida e eu vivo envenenado por ela? Como um prisioneiro evadido e perseguido pelas evidências deixadas a nu no rasto abissal da bola de chumbo que trago acorrentada à consciência, há 29 anos que ando a fugir de mim

Dia de aniversário

Um risco mais no calendário

A riscar o tempo que sou:

Uma hora badalada que passou

E ecoou no campanário.

Dia baralhado e de repasto

Arisco, sucessivo, gasto

A perder a felicidade na palma da mão

E a encher no poço do coração,

De uma assentada,

Uma funda escuridão

Oca, feita de nada.

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