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Pedras

16/02/2012

Não sei como consegue. Cumpliciando-me na catarse, vai cavando, removendo laboriosamente o saibro inútil do fundo da galeria, e quando vou a dar conta, estou a deitar cá para fora as gangas todas.

– As minhas vidas… Uma que parece, outra que se exibe. Uma é só cascalho e a outra, íntima, funda, afectiva, é só rocha-mãe.

– Olha que entre a rocha-mãe, às vezes, encontram-se filões raros de pedras preciosas…

– É um facto. Mas olhe que de pedras percebo eu.

Não sei se a convenci. Acontece, realmente, que tardo em apanhar o veio a pulsar na nascente dos dias. É sempre em esforço que me afeiçoo ao dom de viver. Nunca consegui ser mais que um pobre e absurdo trovador de naturezas mortas.

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