Archive for Fevereiro, 2012

h1

Quase

07/02/2012

Um dia mais de inverno adiado. O sol destes dias, rasteiro e frio, volatilizado no índigo desgarrado na largura desmedida do céu, lembra-me os três primeiros versos do poema Quase, de Mário de Sá Carneiro. É como se eu próprio estivesse no centro deles, estendido em verso livre, sem nada mais me falar:

«Um pouco mais de sol – eu era brasa,

Um pouco mais de azul – eu era além.

Para atingir, faltou-me um golpe de asa…»

Anúncios
h1

Nada

04/02/2012

Nada. E já a palavra em si mesmo nímia, solitária, excedida nas fronteiras inexpressivas do vazio e insensível a todo o verbo de encher, diz muito mais do que aquilo que deveras é.

h1

Graffiti

02/02/2012

Há um muro

Em que procuro

O autêntico total

Sem o achar.

Um local

Onde pinto o mundo tal e qual,

Fiel à realidade que me é dada a revelar.

E que mais posso pedir

Senão tingir

A amplitude

Das coisas que conheço?

Se teimo na cor preta

E me esqueço

Do arco-íris na paleta,

Ou é porque me falta a virtude,

Ou é porque não mereço

A plenitude

Na ponta da caneta.