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Lisboa

10/03/2012

Foi sempre generosa para com as minhas misérias, esta Lisboa da minha alma. Postiça a todos os níveis, cinemática e maquinal, o irredutível temor de perdição com que outrora a encarei a palpitar nos braços do Tejo é hoje um amor silencioso, terno, infindo de devoção e de desejo. A mesma voz áspera que me rechaçava nas primeiras vezes, acolhe-me agora num canto eufónico de sereia. Talvez porque é esta a cidade credora dos meus melhores dias. Mas tudo muda. O tempo tenho-o eu perdido sempre, nunca foi este o meu lugar, nem sou homem de me conceder a doçura insinuada nos sussurros microscópicos da voz que em mim se ouve. Seja qual for o aceno ilusório da fantasia, todo o pudor, todo o transe, quando a sintonização com aquilo que é entranhadamente meu o permite, são uma reação sacramental de recatamento e de liberdade.

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One comment

  1. nº89 4º andar!!!!



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