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O Citador

15/03/2012

É preciso olhar friamente o facebook para perceber a desgraça deste delírio coletivo. De que aturdimentos, de que retóricas falaciosas somos nós capazes em troca da frugalidade passageira de um aplauso. A nossa inautenticidade é de tal modo flagrante que qualquer estribilho, qualquer demagogia obsessiva serve à ausência de reflexão crítica. Cita-se Victor Hugo sem se ler Os Miseráveis; refere-se Eça de Queiroz sem nunca ter pausado os olhos sobre A Ilustre Casa de Ramires; copiam-se poemas a martelo de música brasileira sem ideia particular de quem as fez rimar. E a quem lê, embriagado por não sei que sonambulismo insensível, pouco importa a impostura do que é escrito. É a complacência da simpatia. Triste sinal. Parece que as grandes obras da Literatura Universal foram sinteticamente redigidas na biblioteca do Citador e dadas a conhecer ao mundo pelos eruditos das redes sociais.

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