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Bruma

22/03/2012

Azenha do Mar, Odemira. Sempre a gente vê cada uma… Libertado da rigidez abstrata dos mapas, saí do torrão nativo, vim até este calcanhar do mundo e não sou mais senhor do meu sossego, da minha paz. É outra inquietação a escancarar-me os fundos da alma. Aqui, o mar e a terra querem-se um ao outro com a mesma paixão do primeiro dia. Andava precisado de ver uma fogosidade amorosa assim, tão natural e tão crua que as nossas, efémeras e superficiais, parecem todas apagadas por dentro.

Abre-se o mar num prumo plano

Vestido de uma placidez salgada.

É a calmaria dum sentimento humano

Na doçura duma onda envergonhada.

E se uma outra lhe sucede

Ainda mais terna e serenada

É a paixão que se desmede

Aos pés da terra ali parada.

E ela, sensível à constância dos seus beijos,

Entrega-se aos mesmos desejos

Caindo nua, desamparada

E aos pedaços,

No colo espumoso

E voluptuoso

Dos seus braços.

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