h1

Finalmente

10/04/2012

Tardou, mas chegou, finalmente, a composição insofrida de um poema que há dias me latejava na lira. Desencontrado da carga emotiva que o ligasse a uma imagem densa e imutável, toda a gaguez dos versos que vinham ter à bússola da caneta me parecia estrangeira, dessintonizada do território da inspiração. Valeu-me a solicitude pura de alguém a quem foi outorgado o dom supremo de Orfeu. Há humanidades assim. De boa-fé, munidas duma riqueza interior inabalável e paciente, têm coração para todas as desorientações sensitivas e intelectuais, trazem definidos no carácter os pontos cardeais da clareza expressiva, apontam o norte na graça afectiva dum gesto ou duma palavra.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: