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Horas aristocratas

22/04/2012

Os extremos tocaram-se, durante a manhã de hoje, enquanto pedalava como que para vencer a corrida apressada do destino, sobre montículos de toupeiras gigantes de uma paisagem alentejana no sopé das minhas serras nativas. A Natureza numa paz primaveril, consoladora e alada. Uma harmonia sacramental, doce e escarolada, toda florida em promessas, em confrontação com a trajectória titubeante do meu velho problema de sofrimento humano, todo estilhaçado, todo amargo, todo rude, fechado à largura de certos horizontes. Duas intransigências contumazes, unas e inflexíveis, cúmplices nos mesmos silêncios, conciliadas no afã dos mesmos deslumbramentos. Mas, feitas as contas, no pólo negativo, estou em desvantagem. E ainda bem. Hei-de ficar a dever eternamente à travessia do húmus pátrio o sabor aristocrático das minhas melhores horas.

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