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O silêncio

09/05/2012

A falta que me fazem as muralhas impenetráveis do silêncio. Às agressões passivas dos outros, reajo com espada de pau. Atraiçoo-me em cada impulso defensivo, perco-me em solilóquios indecifráveis, faço queixinhas à vida, dou ao fole da retórica em agoiros ocos e comovidos. Depois, é tarde demais. Crucificado numa incorrigível falta de capacidade em expressar-me, vou arrevesando o acerto das minhas razões até os remorsos e o arrependimento me abrirem feridas a gangrenar na consciência. E, então, pouco me vale o silêncio. É o mesmo que nada. Gastas todas as palavras possíveis, a consequente mudez não é mais a voz esclarecida da sinceridade total.

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