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Algumas palavras

20/05/2012

Conhece-me. Sabe, com uma exactidão diáfana, todos os marcos desassossegados que estremam as confrontações medulares da minha existência. Hoje, quando em poucas palavras me lançou a um auditório de patrícios e alguns adventícios, senti-me a atravessar desveladamente a expressão inefável dos meus mistérios até me sentir inédito, espectral, uma transparência da imagem que sou aos seus olhos. Talvez tivesse carregado em demasia no brilho das tintas. Foram palavras brandas e ternas, mas que traziam na doçura o arcaboiço das almas maiores. Devo-lhe muito. Devo-lho tudo. E não sei se algum dia chegará a perceber a magnitude dos sismos comovidos de gratidão, amizade e respeito que lhe guardo e todos os dias me abanam. Talvez não. A linguagem, desgraçadamente, não chega a tanto. Não passa de uma sombra viçosa dos mil sóis emotivos que nos raiam dentro do peito. Não devia ser assim. É que eu tenho sido sempre avaro, banal,  canhestro nas palavras e nos gestos cruciais dedicados àqueles que mais amo e a quem mais firo com as minhas mortificações. E, no entanto, devo-lhes tanto. Devo-lhes tudo. 

A  OUTRA MÃE

Foi uma sorte de lotaria.
Quanta alma não daria 
O que pudesse,
Tudo o que tem e não tem
Para que tivesse
A fortuna de um dia 
Encontrar alguém de bem
Por quem se tece
Uma malha polida de amor e brilho
Igual à que une um filho
A uma mãe?

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One comment

  1. Edu, estou fascinadas com estas palavras dedicadas a alguém a quem tenho a maior estima e consideração.



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