h1

Cabo Sardão

23/05/2012

Cá vim carrear-me nestas alanceadas arribas alentejanas, onde a desolação erma da paisagem remendada por retalhos policromados de regadio acaba num parapeito vertiginoso de xisto debruçado ao horizonte caleidoscópico do mar. Morde-me não sei que vontade de, numa cabriola, atirar-me às suas entranhas líquidas e, enleado nos grilhões de sal das correntes, deixar-me ir como uma  mensagem de SOS guardada dentro de uma  garrafa de vidro. Na vã esperança de que alguém, numa outra bruma recôndita do mundo, me possa recolher e decifrar neste enigma de náufrago da vida imerso em dúvidas herméticas. Um náufrago enfastiado de se conhecer e ávido de se descobrir.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: