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Palácio de Mafra

29/06/2012

Ver certos monumentos deste país lembra-me certas pessoas. Ermos de aparências fingidas, labirintos de caprichos exacerbados, reflexos de consciências apáticas, são púlpitos de grandeza em estilo rococó cinzelados pelo pico ufano da mesquinhez. Durante a visita, rodeado pelas trevas da luxúria, só as janelas me acenavam aos sentidos, abrindo o panorama ao verde espesso da tapada e ao pano azul do mar, onde o sol caía redondo numa nódoa fogosa de luz. Salvou-se a biblioteca com os seus livros fechados numa admirável pobreza franciscana. Gosto do palácio. Mas o melhor que resta de Portugal tenho eu perspetivado dos vãos das casas, no rosto castiço do povo ou nas páginas suadas pelos nossos homens e mulheres da pena. E em boa hora este exemplo saloio da megalomania pátria nos deu muito mais que histórias de fadas e incidentes secundários. Deu-nos o enredo sublime do génio de Saramago a fazer correntes de ar nos corredores do mamarracho.

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