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Gerês

11/07/2012

Gerês. Aquilo que o léxico me não dá em significação, concedem-me as paisagens em largos panoramas de renovação. Em ambos metido a cabo, caminho com as raízes fincadas nos sentidos, aprofundando o vínculo umbilical com a matriz autêntica que a inexpressividade de nenhum tempo deforma. Só quem tem raízes incansáveis pode conhecer os carreiros tortos por onde medra a linguagem dos seus ramos. O meu húmus nativo é um lugar de essência irmã a esta, germinada em relevos acidentados atropelados por colinas tumultuosas, serranias adaptadas de verde flagrante e fácil, bailando numa beleza ruminante que mata a sede nos  barrancos impetuosos onde Judas deixou as botas. Mas para melhor olhar e compreender o mundo, ainda mais do que ganhar altura, temos que nos desmedir nos muros emotivos de certas distâncias. Era, pois, imperioso vir urdir os pespontos telúricos da rede geodésica existencial na placidez incontornável destes talefes austeros e combativos. Se a paisagem é um destino, e o destino um somatório de estados de espírito, foi a subida à Fóia e à Picota que, num dia remoto, como o clarão da estrada de Damasco, me balizou os horizontes da alma e me condenou ao fatídico entremez de embalar fragas pela vida fora.

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