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O desmancha-prazeres

17/07/2012

Não há como. Ninguém é senão uma imagem plasmada na incompreensão alheia. Pouco importam os desmentidos penitentes contra os rabos-leva que nos transfiguram a fácies existencial. De que serve perder a vida a prestar contas por palavras ou obras? De um juízo transitório, fica a cristalização indelével das deformações presumidas por prosélitos implacáveis que, sem dó nem piedade, no-las inculcam com a brasa de um ferrete judicativo. A mim calhou-me em sorte a rifa carimbada que remete à peça contrafeita na quermesse diária da vida: o “do contra”, o “do mau feitio”, o “desmancha-prazeres”, a “ovelha ranhosa”. Quem há-de um dia perceber o pH envenenado de certas reacções a que a frontalidade sincera das horas mais difíceis me obriga? Ousado no livre-arbítrio, nem comigo mesmo posso congraçar. Mas, vendo bem, não foi mau de todo. O que o berço dá, a tumba o leva. Quem me decalcou no génio o estigma  da negação, ficará a ouvir-me dizer não até aos confins inabaláveis da mais íntima convivência.

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2 comentários

  1. Digo-o há muito tempo: os “mau feitio” estão underrated.

    De resto, em determinados contextos, ser-se assim chamado, é o maior dos elogios.

    Aposto que se aplica “aqui”.


  2. Concordo com tudo o que dizes, sem deixar de reconhecer validade ao que disse anteriormente.

    Frase mote para um próximo poema:

    “É muito mais fácil colar rótulos que selar o abraço convergente das ideias divergentes.”

    [hora poemas pedidos]



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