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Sempre a somar

27/07/2012

Mais uma barrela da alma. E o pior é que me lavou na ideia de que morro no vazio absoluto, incompreendido. Mesmo por aqueles a quem, prazerosamente, abri as portas de fora sem me preocupar em fechar primeiro as de dentro. À mínima, enrosco-me numa bola de espinhos como os ouriços-cacheiros no mato; rosno, ladro e mordo, mesmo se as pedradas me passam ao lado; espremo-me todo se me tocam nos pontos fracos. Luto contra mim, luto contra os homens, luto contra os deuses… E o mundo, sem se desviar do próprio eixo um só fio de cabelo que seja, moita. Até as pedras da rua,  impassíveis ao meu queixume, passam por mim como cão por vinha vindimada.

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One comment

  1. Pois é. E há pessoas que teimam em passar pelas frestas das portas, as de dentro e as de fora, abertas ou fechadas, e chegam aos cantinhos mais frágeis da casa, sem pudor, numa mera leviandade, tantas vezes apelidada de bravura, coragem ou sinceridade. E se ao menos esbarrassem em agrestes espinhos de ouriços-cacheiros do mato, talvez a merecida picada aliviasse consciências intranquilas. Mas se o espinho dá lugar à textura suave da lã, que cede, submissa, sem a mínima intenção de defesa, aí, só resta a desolação de, ao virar da ampulheta, o tempo se mostrar incapaz de retroceder.



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