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Esperança

17/08/2012

Estava, como eu próprio pareço estar sempre, num inferno de desolações. Pedi-lhe que rodasse as faces ao prisma de modo a perspectivar as coisas de outro ângulo; que não se concentrasse tanto nos sóis por acender, mas, sim, na quantidade de estrelas ateadas na quentura do seu lume; que os sentimentos são geometrias de lados infinitos; que, em horas difíceis como as que vivemos, certos defeitos bons são melhores que as piores virtudes; que o tronco de inquietações em que se encontrava tinha tantos anos quantos tem esta velha Humanidade; que ninguém se pode arrogar postilhão de uma cartilha por procuração da consciência, pois que o caminho da salvação fraterna do Homem se faz por aproximação à sua essência. E quando dei conta, estava a granjear uma esperança oculta que, escassas vezes, tenho tido a coragem de propor a mim mesmo senão em esparsos gemidos prolongados. Evidentemente que, indo ainda a meio da viagem, não tenho melhoras possíveis. Nisto de forjar o ferro da esperança com maço e bigorna de pau, não conto ver o fundo ao saco. Sei bem que não convenço ninguém com jaculatórias desta natureza e que nos trinta argumentos daquela conversa me traí numa traição de Judas. Ainda bem. Gosto de viver os meus dias movido pelas rodas dentadas da dúvida permanente.

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