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O senhor Justo

03/09/2012

Ora o senhor Justo, cesteiro, filho genuíno e legítimo desta serra… O carácter honrado enobrece-lhe a medida certa do nome e até a barbicha grisalha pendurada no queixo levemente escaveirado, esculpida por mãos imaginosas mas realistas, lhe dignifica o apelido imparcial. Rodeado de cestos, cadeiras de tabúa, escadas de madeira engarrafadas, outros artefactos de verga torcida e madeiras incorruptíveis que não cedem às emboscadas plásticas das sofisticações actuais, lá me vendeu uma canastra com os juízos todos regateados numa expressão pura, especificamente sua, de amável censura.

– E agora, onde vai arranjar batatas para dar uso ao alcatruz?

Se, ao menos, tivesse umas courelas, vá que não vá. Mas não tenho. Pelo que, não havendo outro remédio, lhe respondi na sinceridade de quem procura as raízes na intimidade expressiva de todas as coisas:

– Olhe, aqui, onde os meus pais e avôs alombaram arrobas maciças de trabalho e sofrimento, hei-de eu carregar uns livros que lá tenho a abrolhar!

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One comment

  1. Batatas são uma boa forma de dar uso à canastra. Alimentam o corpo. E houve tempos, quando a carne escasseava, em que estas batatas eram um dos poucos alimentos que os menos afortunados pelos cifrões se podiam dar ao luxo de comer.
    Os tempos são outros e nada melhor que usar uma canastra para colocar algo que alimenta outra coisa igualmente importante: o intelecto.



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