h1

O teatro da Esperança

14/10/2012

Ninguém morre de desespero. Mas perde-se muita vida a desejar feixes de Esperança. É ela o milagre concreto e a seiva do inefável a fluir dentro do instinto de conservação. Mas como encontrar essa sombra sedativa sob os ramos de um país ressequido, com míldio no tutano? Os jornais insinuam desgraças e podridões, as rádios monologam sons de matracas, as televisões mostram apenas vísceras e cadáveres embalsamados. Tudo sintonizado num “morra Sansão e quantos aqui estão!” É o milagre a procrastinar. Nada. Não se vê um estere de tolerância, um borrifozinho de água no deserto intelectual em que vivemos. Que triste chocolateira esta retórica avariada que nos tem conduzido às moradas sociais conhecidas. Em Portugal, é tudo tão teatral, que até a Esperança é obrigada a aguardar as pancadas de Moliére para poder entrar em cena.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: