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Roma, 26 de Outubro de 2012

29/10/2012

A antiga Roma em carne viva. Um mapa civilizacional que roubou a arte e a filosofia aos olimpos cívicos da Grécia e se cismou em estradas, salões de banhos, nas papilas de uma Língua que degusta o paladar lexical de, pelo menos, cinco pátrias, e acabou numa floresta amalgamada de pedra carunchosa tragada pelos caprichos do tempo. Quem quiser ver os cadáveres a que foram convertidas as sobras do antigo império latino, venha pôr os olhos nas ruínas do fórum, subir às bancadas do coliseu e aplaudir os visitantes que se digladiam por fotos panorâmicas. Venha percorrer comovidamente a via-sacra, repousar a memória arqueológica sob a sombra redonda do arco de Tito e reconstruir a urbanidade da História acudido pelas deixas de um guia turístico e das estremas voláteis da imaginação. Dizem que a paisagem vista é o somatório de cerca de dois mil anos de pilhagens sobre estes edifícios. Proteus ao sabor dos ventos das necessidades, filhos gémeos do mesmo ideal de conservação, de progresso e de eternidade assinados pelo toque do escopro na lage de um monumento, sugámos as tetas da loba até mais não lhe restar que ossos descarnados de significação furando a terra e que, durante os próximos dois mil anos, a pilhagem do esquecimento, inexoravelmente, reduzirá a caboucos esfacelados.

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