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O inconformado

18/11/2012

Mais um fórum público em que encarnei proficuamente o ridículo papel de marmanjo, de cão tresmalhado, de ovelha ranhosa. Uma vez mais, fui eu o condutor distraído que, julgando estar certo quando segue em contramão, não entende o morse luminoso vindo de encontro à sua marcha. O resultado, é bom de ver, foi a desolação aterradora do costume: o isolamento total e absoluto numa sala cheia de gente. Tudo a preferir o conforto da ordem estabelecida, o magnetismo centrípeto das posições dominantes contra a insignificância centrífuga de um zé ninguém outorgada por uma procuração de chico esperto. Até no plano intelectual o modelo gravitacional de Newton faz das suas. Ao cabo e ao resto, fica a consolar-me a certeza de que um homem só é verdadeiramente autêntico no exílio do silêncio ou no desterro da solidão. Hoje, calhou-me em sorte a segunda, mas era o acerto da primeira que mais me beneficiaria. Ser autêntico nesta terra de ideias em conserva, é como estar em Marte e tentar respirar.

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