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Bicho do mato

24/11/2012

Talvez que só eu perspective as coisas deste modo, mas quando se vai de pólo a pólo caminhando sobre uma realidade funâmbula, tanto montam os clarões neutrais da autocrítica como nada. E depois do mal nos sair das mãos, já se sabe, tentar dourar a pílula só traz ainda mais tragédia à desgraça.
Homem de desregramentos subversivos, puxo por mim até que o esgotamento da minha própria perplexidade me deixe amarfanhado numa ténue pele delicada, engalinhada pelos estímulos de evidências sensíveis; numa derme desidratada nas demolições do insucesso – nada do que faço me satisfaz – escamada por sucessivas reacções alérgicas a uma inexpressividade crónica que me acompanha desde que me lembro. Não será esta mágoa que trago inculcada no perfil, esta dessintonização absurda com o mundo, completamente distinta do “feitio difícil, do mau génio, do ser atreito ao contrário, do bicho do mato que indispõe toda a gente”, que tenho ouvido dizer aos rabos-leva com que me têm identificado ao longo da vida?