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Música da chuva

21/12/2012

Embora carregado de dilúvios impertinentes e borrascas agoirentas como eu ando, durante a madrugada passada é que eu arrolei no meu íntimo os fonemas ostensivos e líricos da chuva. À noite, recolhidos nas vidraças da imaginação, enquanto ouvem o tamborilar das bátegas, os sentidos são convocados a novas rimas, novos versos e a novas melodias idiossincráticas. E logo a consciência reage. Logo a lucidez se põe às apalpadelas na tentativa desaustinada de clarificar as penumbras interiores. E são já os pensamentos que dançam. Parece que se apanha a música encantatória da eternidade de ouvido e a reproduzimos serenamente nos silêncios entre os aguaceiros. Mas só até ao instante em que, algures na vizinhança, um qualquer galo – esse indefectível profeta do tempo – nos acorda novamente para a precariedade transitória da vida.

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