h1

Dizer não

29/01/2013

De todas as formas com que o poder se prefigura, a única que me fascina verdadeiramente é a de ser usufrutuário do poder da abnegação. Entre tantos dons inatos que trazemos agarrados à vontade, dizer não é aquele em que mais se afirma o inexorável instinto de preservação intrínseco a cada existência livre. No meu caso, é um modo anquilosado de abjuração que, de resto, devo à pia baptismal, e da qual faço uso sempre que me dão a cheirar o perfume inebriante e tirânico do outro poder, o temporal, que tudo deforma, tudo perverte, tudo corrompe. É como se respondesse ainda à interpelação do Padre Ferro, ungido pelo santo óleo dos catecúmenos da liberdade, limpo do pecado original:

– Renuncias a Satanás e a todos os seus anjos?
– Sim, renuncio!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: