h1

Realidade existencialista

08/02/2013

Sou pelo ideal de que cada homem é responsável por cada circunstância do próprio destino, e actuo ao arrepio das implicações respectivas. Mas como nasci cabeçudo, contrário ao sentido de todos os ponteiros dos relógios sociais, não há meio de engrenar no mecanismo da convivência. Trabalho, entrego-me, procedo em conformidade com os despachos exarados pelas boas intenções da consciência, sou um saco aberto de disponibilidades imediatas, e sai-me tudo vertido às avessas. Mete raiva: reajo tarde, mal, a despropósito e sem proporções dignas de encher as razões que espoletaram a agressão. E vai de gastar-me a pedir desculpa e voltar à casa de partida todo crivadinho de remorsos. É uma lufa-lufa diária em que desfaço à noite o enxoval íntimo cosido aos corações alheios durante o dia, e me compara aos desmanchos de Penélope. Com esta diferença, apenas: ela fazia-o e ganhava tempo; eu faço-o e perco a vida.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: