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Carnaval

09/02/2013

Cortejo carnavalesco de crianças pelas ruas da vila. Um somatório de sonhos individuais congregados num rio intenso de cores e entusiasmo, folia e travessuras, por onde também desfilei há anos, trajado de palhaço. Uma torrente animada de possibilidades a inundar-me a alma de esperança em ver tantos sorrisos a desaguar no mar alto do futuro. A comandar o caudal infantil, um carro alegórico de onde escorria uma música exótica cujo tom, baixando uma oitava em cada metro, se esbatia lentamente nos drenos alongados da distância e da multidão, e chegava num murmúrio menos viçoso aos de trás. Talvez aqui esteja a alegoria mais significativa do grande carnaval da vida. Nascemos como rios impetuosos de força e de grandeza, damo-nos a todas as sinfonias e a todas as fantasias do porvir. Depois, as secas do tempo, os açudes sociais e os transvazes do carácter afastam-nos cada vez mais da nascente, e já só conseguimos lavar as desilusões que infligimos a nós próprios e aos outros pela música fantasiada que trazemos agarrada à lembrança.

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