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O meu avô

24/02/2013

A minha mãe a passar-me a mão pelo restolho da barba e a dizer com uma saudade alegre:
– Tens a barba do teu avô.
E eu, tão longe de mim como da minha mãe, sem nunca ter conhecido o meu avô, a conhecer a sua vida inteira na lixa áspera do meu rosto. O meu avô tinha um olho de vidro. Eu a ver-me ao espelho era o meu avô a ver-me a partir do seu olho de vidro. Hoje, conheci o meu avô. Acariciei-lhe o queixo e pude sentir-me me tão velho como ele. O meu avô existe, o meu avô vive e é outra pessoa. Hoje, o meu avô sou eu.

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