h1

Viñales, Cuba, 23 de Maio de 2013

03/06/2013

Há lugares na Terra em que basta dimensionar o esplendor infinito e inviolado apenas num relance para sentir bloqueios de expressão difíceis de explicar, mas fáceis de aceitar. Esta paisagem clorofilina de Viñales é um desses lugares idílicos. A contemplar o panorama de um miradouro aberto ao vale erodido de onde irrompem relevos residuais em forma de gigantescos dentes molares a mastigar o tempo num céu de algodão-doce, fico de tal forma rendido, que não encontro nem palavras, nem artifícios literários capazes de dar vazão proporcional ao caleidoscópio dos sentidos. Não tenho cores suficientes dentro de mim para tingir um cenário tão insólito e tão natural. Faltam-me as formas para encher tanto volume. Perco-me em ruídos inconvenientes, quando o que o instinto sugere é, apenas, reproduzir as melopeias do silêncio. Um versículo preservado do Génesis, com plantações de tabaco e coqueiros. Um Éden Jurássico com latitude e longitude traçadas pelas mãos precisas e virtuosas do Criador. E o que teria sido desta velha Humanidade se, em vez da maçã carnuda, acessível à voracidade de qualquer dente, a mulher de Adão tivesse antes trincado um coco…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: