Archive for 6 de Junho, 2013

h1

Aí está ele!

06/06/2013

Depois de uma semana de bebedeira nos sentidos, seguida de uma outra de sonambulismo convalescente, a ressaca peçonhenta da realidade. Bem fujo, mas não há maneira. O sofrimento é a minha segunda pele.

Anúncios
h1

Monchique, 30 de Maio de 2013

06/06/2013

Ainda a reencontrar-me depois da espécie de mau-olhado ao contrário que significou a ida e volta a um dos cantos do mundo. Preciso disto para me sentir em conformidade comigo, para fazer coincidir a medida do espírito com a medida dos ossos. Na pátria local ou na pátria global, cada trajecto por diferentes paisagens, cada subida a monumentos esquecidos, cada diálogo com pronúncias estrangeiras, cada prova de trajes exóticos ou comidas estranhas, tem o sabor do brilho da vida. Parto à procura da essência das coisas e regresso mais essencial. É como se fosse engolido pela geografia dos sentidos e, depois das enzimas da terra me devorarem os acessórios fúteis do quotidiano, fosse cuspido em caroço em direcção ao chão nativo. Pareço um parafuso. Dou voltas ao país e ao mundo e acabo sempre por rodar em torno do centro da minha geodesia original: Monchique.

h1

Lisboa, 29 de Maio de 2013

06/06/2013

Regresso comovido a casa, depois da jornada Caribenha. E nunca pensei que, passados sete dias a ouvir um idioma em que a língua parece uma castanha quente a estalar nas paredes da boca, me aliviasse tanto o desespero em que vinha aturdido situar-me novamente nas fronteiras do Português materno. Foi como se viesse surdo e um Cristo de camisa aberta no peito e crucifixo dourado a bailar no pescoço me sussurrasse, dedilhando a guitarra:
– Efratá. – E os ouvidos se me abrissem a um fado inspirado nuns versos de Camões.