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Deserto

20/06/2013

O deserto na secura magra do poema de ontem complementado hoje com documentários científicos sobre os desertos das diferentes zonas do Globo, aos quais, oportunamente, adicionei o deserto humano que sou. Ou por auto-defesa ou por auto-aniquilamento, são as paisagens mais duras, mais desterradas e mais difíceis aquelas que me fazem sentir de acordo com a minha aridez íntima, condição que aceito e recuso em todas as horas. Aceito-a, porque todos nós temos latitude e longitude nos cromossomas e no carácter. A mim, essas coordenadas localizam-me numa zona arrasada onde as virtudes mais férteis da existência – as faculdades ingénitas de imaginar, de sentir, de amar, de sonhar – submetidas às tempestades de areia nos desencantos da vida, se vão erodindo pouco a pouco, abrindo clareiras solitárias cada vez maiores. Recuso-a, porque até nos desertos mais desoladores e mais inóspitos o instinto de conservação é impelido por forças abstractas a procurar oásis de paz luxuriante. E eu nada mais tenho feito que perder-me em sucessivas miragens que ora me povoam de liberdade, ora me estiolam na mais desterrada solidão. Tenho a cabeça cheia de dunas e pareço um tuaregue.

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