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O tempo é uma vaga noção indefinida

20/06/2013

Meto dó a desandar na roleta do meu próprio descalabro. Enquanto vou tirando as pétalas ao malmequer da vida, aguardo, com uma certa inflação de desespero e de impaciência, por um indeterminado não sei quê, um golpe de asa, uma vaza inédita que me valha pela eternidade. Hoje, por distracção, tentei enganar o vagar do tempo adiantando as agulhas ao relógio, fiado na crença de que quando esse momento acontecesse, a pressa do que havia de ser seria já o que tinha sido. O futuro seria o presente antecipado e, no exacto período da sua ocorrência, o presente teria sido convertido em passado. Tenho uma temerosa dificuldade em sincronizar-me com os metrónomos quotidianos. Hipnotizado pelo pêndulo da ilusão, só consigo compreender a actualidade das coisas fora do seu tempo: ou por antecipação, ou por recordação. A significação das minhas acções cumpre-se na estratosfera onírica do desejo ou nos desaterros melancólicos da lembrança.

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